Category: Politicas de Sustentabilidade


20.05.11  |   Sustentabilidadeblog  |  Osório Roberto dos Santos

Quando pensamos em sustentabilidade no mundo corporativo temos que levar em conta que a sustentabilidade emocional dos colaboradores deve ser a prioridade.

É conhecida a idéia de que há uma relação íntima entre a harmonia familiar e a harmonia nas relações laborais.

Quem pode pensar em eficiência quando se tem um problema em casa?

A família é o centro, o elo de sentido da vida, na qual resgatamos nossas energias para nos sentirmos inteiros na execução de nossos trabalhos.

Uma das principais dificuldades da vida moderna é conciliar a vida familiar com o trabalho. Como construir uma carreira e ao mesmo tempo criar os filhos?

É comum o sentimento de culpa dos pais por não poderem estar presente em muitos momentos na vida dos filhos.

Essa é uma questão que parece recorrente e indissolúvel para uma grande parte das famílias atualmente. E pode ser a raiz para conflitos ainda mais profundos no ambiente corporativo que, se não encarado com maturidade, pode ser tornar uma bola de neve prejudicando o trabalho de todos.

Será que a QUANTIDADE de tempo que passamos com nossos filhos é determinante?

Podemos começar por uma nova perspectiva: qual é a QUALIDADE de sua relação com seu filho no pouco tempo que passam juntos?

Pensando nisso a psicóloga Cecília Russo Troiano autora do livro “Aprendiz de Equilibrista” (Como ensinar os filhos a conciliar família e carreira), concluiu recentemente uma pesquisa que dá outra leitura ao assunto.

No seu segundo livro “Vida de Equilibrista” (Dores e delicias da mãe que trabalha) a psicóloga apresenta o resultado de sua pesquisa com 500 crianças e jovens e chegou à seguinte conclusão:

As crianças se adaptam e constroem seu ideal de felicidade dentro da realidade que lhes é apresentada. Para a criança não importaria tanto o tempo ou se os pais trabalham fora e, sim, se essa situação é bem resolvida.

Não se pode abandonar, mas o excesso de tempo com o filho também é prejudicial.  Faz parte da educação o estabelecimento de um espaço individual.

Se o assunto é tratado sem culpa e tabu, claramente, as crianças entendem que o trabalho é importante, não só para ganhar dinheiro, mas, também é uma oportunidade de apresentar aos filhos valores intangíveis como o valor da realização e da independência.

O fruto do trabalho deve ser compartilhado com os filhos com prazer e espontaneidade. Sucessos e fracassos. Acertos erros.

Dessa forma, naturalmente se entende que o trabalho é uma fonte de energia e recurso fundamental para a manutenção familiar.

A pesquisa não exime de forma alguma a responsabilidade da empresa pela saúde familiar de seus colaboradores.

O suporte das organizações nesse quesito pode ser também pensado nos mesmos termos do binômio QUANTIDADE e QUALIDADE.

Sabemos que quantidade de tempo no trabalho não necessariamente representa qualidade e eficiência nos resultados.

Muitas empresas nos países chamados desenvolvidos já incorporaram em sua cultura a prática de parte do trabalho ser realizado em casa com resultados que surpreendem positivamente.

Uma cultura corporativa madura delega e confia na responsabilidade dos colaboradores e preza por sua independência.

Assim como no caso dos filhos, o controle e a presença em excesso é prejudicial.

As corporações devem ser vistas, e devem se ver também, como parte importante da vida em comunidade, procurando ser um fator positivo na vida das pessoas.

É responsabilidade de toda organização que advoga a sustentabilidade como valor, mostrar de forma clara o quanto preza pela saúde emocional de seus colaboradores.  Ações concretas de incentivo a essa qualidade deve estar no plano estratégico.

Essa abordagem pode transformar uma relação conflitiva que pode haver entre empresa e família em uma relação de complementaridade.

Os filhos dos equilibristas (e futuros equilibristas) agradecem!

Para quem tiver interesse segue a sugestão dos livros da psicóloga Cecília Russo Troiano: “O Aprendiz de Equilibrista” pela Editora Évora e o “Vida de Equilibrista” pela Editora Cultrix, ambos lançados em 2011.

                     

Concreto verde: o barro que se molda às novas tendências de construção sustentável

Cerca de 3 bilhões de pessoas moram ou trabalham em casas de barro. A terra batida já é conhecida por ser uma alternativa de construção barata e inteligente há séculos e não apenas as comunidades mais pobres de áreas rurais se beneficiariam dessa técnica tão econômica quanto eficaz. A bioconstrução, assim chamada por designers dispostos a investir em uma proposta sustentável, resgata esse material já conhecido, que se molda perfeitamente às necessidades do futuro sustentável do planeta. O barro propicia que a umidade seja mantida em níveis ideais, tanto no inverno quanto no verão. Ninguém precisa ficar refém do ar-condicionado e, portanto, o consumo de energia pode baixar. Além disso, possibilita a autoconstrução, uma vez que não depende de ser transportado de um lado para o outro, como o cimento. Basta terra, água e o trabalho das mãos para moldar o barro e garantir a resistência desse “concreto verde”. Arquitetos contemporâneos e ecoconstrutores estão, agora, procurando grupos étnicos para aprender como é que se pode trabalhar com o material, como no caso do povo musgum, de Camarões, cujas casas são erguidas com simplicidade quase orgânica, de curvas, ranhuras e telhados cônicos. Os veios externos ainda contribuem para o escoamento da água da chuva. Uma técnica antiga que aponta novos caminhos para a arquitetura moderna.

Fonte: Lívia Lisbôa, Vida Simples

Tire suas dúvidas sobre o uso do bambu na construção — EcoDesenvolvimento – Sustentabilidade, Meio Ambiente, Economia, Sociedade e Mudanças Climáticas..

Holandeses criam centro de aprendizagem ecológico para crianças

Postado em 10/03/2011 ás 15h10
Centro de Atividade e Aprendizagem para crianças. Feito de bambu local o projeto prevê um cinema, auditório para palestras e peças de teatro e biblioteca com livros sobre permacultura e tradições locais. (Imagem:Kiattipong Panchee e Boris Zeisser)

O resort de seis estrelas Soneva Kiri está localizado em Koh Kood, uma ilha no Golfo da Tailândia. Esse foi o local escolhido pelo escritório de arquitetura 24H para projetar uma série de ícones que se tornaram referência em design e ecologia.

O mais notável é o Centro de Atividade e Aprendizagem das Crianças, criado pelos arquitetos holandeses Boris Zeisser e Maartje Lammers, juntamente com seus colaboradores. O local irá proporcionar às crianças que visitam, um vasto leque de atividades lúdicas com o objetivo de elevar o nível de consciência ecológica. Este retiro de 165 m2 de área construída, prevê um auditório/cinema para filmes, palestras e peças de teatro, uma biblioteca com livros sobre permacultura e tradições locais, uma sala de artes e uma sala de música e moda dando assim às crianças tanto educação criativa, como ecológica enquanto brinca.

O recanto está localizado em uma encosta rochosa próxima ao mar. A cúpula de bambu foi inspirada pelo formato de uma Raia-Manta, de modo a oferecer vistas magníficas e parecer lançar-se na baía. A estrutura e o telhado são feitos de bambu local (tailandes), contribuindo ainda mais para a abordagem ecológica do resort. O interior é feito a partir de plantações locais de River Red Gum Wood e elementos de vime estruturais para as cúpulas interiores.

Ao lado do albergue, existem “pufes” para as crianças dormirem e um banheiro. O local conta com um espaço para cozinhar, com horta para as crianças prepararem seu próprio almoço com um cozinheiro especial.

O projeto adota todos os aspectos bioclimáticos para se adaptar ao ambiente tropical úmido. O telhado levanta até oito metros agindo como um grande guarda-chuva fornecendo sombra e proteção. O projeto aberto, com o telhado translúcido que se eleva e o piso reverso, permite um fluxo natural de ar no interior e o uso de luz natural, limitando o consumo energético do edifício.

Redação CicloVivo

 

A CARTA DA TERRA

 

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, em uma época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas.

 

A CARTA DA TERRA

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem- estar da família humada e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relaçao ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA

  • 1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
    • a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
    • b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
  • 2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
    • a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
    • b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.
  • 3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
    • a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
    • b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
  • 4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
    • a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
    • b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessario:

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

  • 5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
    • a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
    • b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
    • c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
    • d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
    • e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de formas que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
    • f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.

 

  • 6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
    • a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
    • b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
    • c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
    • d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
    • e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

 

  • 7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
    • a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
    • b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
    • c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
    • d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
    • e. Garantir acesso universal a assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
    • f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

 

  • 8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
    • a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
    • b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
    • c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

  • 9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
    • a .Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não- contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
    • b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter- se por conta própria.
    • c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

 

  • 10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimeto humano de forma eqüitativa e sustentável.
    • a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
    • b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
    • c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
    • d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.

 

  • 11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência desaúde e às oportunidades econômicas.
    • a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
    • b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
    • c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

 

  • 12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
    • a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
    • b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
    • c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
    • d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.


IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ

  • 13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
    • a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
    • b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
    • c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
    • d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
    • e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
    • f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus própios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

 

  • 14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
    • a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
    • b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
    • c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
    • d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

 

  • 15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
    • a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de desofrimentos.
    • b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
    • c.Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

 

  • 16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
    • a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
    • b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
    • c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não- provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
    • d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
    • e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
    • f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não- governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

http://www.earthcharter.org/

Plataforma de Cidades Sustentáveis é apresentada em São Paulo

Postado em Cidades Sustentáveis em 21/07/2010 às 12h05
por Redação EcoD Comentários (0)

 
 Maurício Broinizi comentou sobre a importância da Plataforma de Cidades Sustentáveis/Foto: Divulgação

Publicação que reúne experiências de práticas sustentáveis já aplicadas em diversas cidades de todo o mundo, a Plataforma de Cidades Sustentáveis foi apresentada nesta quarta-feira, 21 de julho, em São Paulo. Elaborada por meio de trabalho conjunto da Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis e do Movimento Nossa São Paulo, a iniciativa conta com versões impressa e para a web – esta última receberá atualizações de novas experiências sustentáveis.

Ao todo, 12 eixos temáticos norteiam as boas práticas de sustentabilidade presentes na plataforma. A proposta é oferecer um cardápio de exemplos bem-sucedidos que podem ser replicados e adotados como políticas públicas por gestores e candidatos às próximas eleições. As ações sustentáveis também podem inspirar iniciativas em empresas e em organizações da sociedade civil.

No evento de lançamento, os candidatos em São Paulo ao governo do Estado e ao Senado Federal foram convidados a assinar uma carta-compromisso para uma gestão pública voltada para o desenvolvimento justo e sustentável nas cidades, a partir dos exemplos relatados na publicação e no site. Na ocasião, o cientista político, pesquisador de Ecopolítica e comentarista da rádio CBN, Sérgio Abranches, comentou sobre o tema "O imperativo da sustentabilidade: nações, cidades e empresas sustentáveis".

Em entrevista exclusiva concedida ao portal EcoDesenvolvimento.org, o coordenador da secretaria executiva  da Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, Maurício Broinizi, adiantou detalhes acerca da Plataforma de Cidades Sustentáveis e explicou como esta iniciativa pode ser útil para os municípios brasileiros.

– Ouça a entrevista com Maurício Broinizi na íntegra –

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