Category: Politica, Educação e Cultura


Sociedade está madura para Educação que reduza papel dos currículos obrigatórios e estimule prazer do conhecimento — exercitado em bibliotecas transversais e de livre acesso Por Derbi Casal, em Bibliotecas Sem Fronteira

viaPor uma Pedagogia da Descoberta.

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Política da Cultura e Cultura na Política Esplanada dos Ministérios ao cair da tarde 1Makely Ka · Belo Horizonte, MG 9/12/2010 · 29 · 3 Em um disco de 1969 Gilberto Gil cantava os contundentes versos: “a cultura, a civilização: elas que se danem, ou não”. O paroxismo da frase aponta tanto para o advento iminente do princípio da barbárie contemporânea quanto contém dentro de si a potência necessária para superá-la numa afirmação anárquica mas positiva de uma outra possibilidade de cultura e civilização. Não deixa de ser irônico que o mesmo autor da frase, mais de quarenta anos depois, assumiria o posto de Ministro da Cultura. Sintomático que um dos artífices do tropicalismo, o principal movimento estético de vanguarda no Brasil na segunda metade do século XX tenha se embrenhado na política. Gil já havia dado mostras de sua disposição para o gabinete e o palanque em pelo menos duas ocasiões, quando assumiu como vereador em Salvador e depois como candidato a prefeito da capital baiana. Mas era ainda um laboratório do que estava por vir. Incorporando elementos do movimento contra-cultural, uma das propostas mais caras ao tropicalismo foi, em última instância, a quebra de barreiras entre arte e política, entre intervenção social e cultura. Nesse sentido pode-se dizer que a realização do projeto tropicalista em seu sentido mais amplo, por mais desdobramentos que possa ter gerado, não estaria completa sem uma intervenção efetiva, ampla e incisiva no ambiente político-cultural do país. O Ministério da Cultura por sua vez, a instância responsável pela elaboração e execução das políticas públicas para o setor no âmbito federal, sempre teve uma existência inexpressiva, primeiro vinculado ao Ministério da Educação, depois rebaixado a secretaria, por fim uma pasta sem recursos suficientes para garantir à população o direito constitucional de acesso aos bens e produtos culturais do país. Mais do que isso, um ministério que se escorou num único mecanismo de ação delegando a responsabilidade do fomento ao mercado e favorecendo grupos e agentes na base da política de balcão. Reflexo de um pensamento elitista que sempre pautou as políticas – ou a falta delas – para o setor. Por tudo isso a nomeação de Gilberto Gil para o cargo de Ministro da Cultura equivale aproximadamente, na relação direta e proporcional entre as hierarquias governamentais, à própria eleição do presidente Lula. A dimensão simbólica do fato só encontra paralelo na história recente com a nomeação de Villa-Lobos para a direção da antiga Superintendência Educacional e Artística na era Vargas. Mas o gesto aqui é ainda mais amplo e o desafio mais complexo. Em Salvador me disseram que Gil teria recusado o primeiro convite de Lula. O futuro ministro então ligou para o amigo e conselheiro Antônio Risério. Antropólogo especialista em cultura africana no Brasil, desafeto de ACM, referência intelectual dos tropicalistas, Risério teria dito em resposta: “vai ficar na Senzala, não vai entrar na Casa Grande?”. O sarcasmo da analogia em tom de desafio diz muito sobre as relações entre alta e baixa cultura e a disparidade nas relações de produção e consumo entre as diferentes classes sociais do país. E se Villa-Lobos vislumbrou a realização de um projeto cultural de amplitude para o país com a implantação do canto orfeônico nas escolas públicas brasileiras durante a ditadura Vargas nos anos 40, o projeto de Gil propunha uma mudança de paradigma, uma inversão na forma de pensar e perceber a cultura brasileira. E mais, transformar essa visão em política de Estado! Não era pouco, mas de certa forma o embrião já estava todo ali no discurso de posse. Precisávamos definitivamente encarar a cultura como um fator estratégico para o desenvolvimento do país. O fato é que o tema da nunca esteve, até então, na pauta das discussões políticas com a devida importância. A despeito do acesso à Cultura ser um direito previsto na Constituição Brasileira de 1988 e dever ser assegurado a todos os cidadãos pelo Estado Brasileiro. A despeito ainda dos Direitos Culturais estarem previstos expressamente na Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, como fator de singularizarão da pessoa humana e comporem juntamente com os Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e de Direitos Econômicos Sociais e Culturais a Carta das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário com posição ratificada em 1992. Para além do caráter simbólico e de sua importância para a formação da identidade brasileira, a cultura tem se mostrado como fator fundamental de desenvolvimento econômico gerador de emprego e renda. Acabamos de passar por uma crise financeira mundial no momento em que outra já se anuncia e o setor cultural foi um dos que mais demonstrou capacidade de reação e superação. Não é por acaso que é o setor da economia que mais cresce no mundo todo, de acordo com dados recentes do Banco Mundial. Gil assume o Ministério em 2002 e parte de um germe plantado por intelectuais orgânicos – aqueles que colocam a mão na massa encefálica – ligados ao núcleo expandido do tropicalismo como Antônio Risério, Rogério Duarte, Wally Salomão, Jorge Mautner e o próprio Juca Ferreira conseguindo a adesão imediata de jovens criativos e bem preparados vindos de diversas partes do país que se entusiasmaram com a idéia. Entre eles o próprio Alfredo Manevy, atual Secretário Executivo recrutado das fileiras da crítica cinematográfica mais política e aguerrida. Naquela ocasião não havia um projeto consistente do PT para o setor cultural. Isso fica claro ao analisarmos as propostas apresentadas pelo partido tanto nas eleições daquele ano quanto nas anteriores. Assim como o PT nenhum outro partido jamais apresentou propostas minimamente fundamentadas para o setor simplesmente porque jamais perceberam a dimensão do espectro cultural. Basta passar o olho nos programas de governo lançados pelos candidatos à presidência. Todos apresentaram, em linhas gerais, uma continuidade das políticas culturais implementadas na atual gestão, com ampliação dos Pontos de Cultura e revisão dos mecanismos de investimento público no setor. A idéia-conceito que sustentou a implantação do Pontos de Cultura dá a dimensão da mudança paradigmática operada nesse período. Ao promover o encontro inusitado da simplicidade radical de uma tradição oriental secular com uma disciplina humanista relativamente recente do pensamento ocidental foi realizada uma síntese poderosa capaz de promover um movimento sísmico no Brasil profundo. O Do-in antropológico proposto pelo então Ministro em seu discurso inaugural, sugerindo uma massagem nos pontos nevrálgicos do país de forma a possibilitar que a energia dessas veias e artérias culturais ramificadas por todo o território fluíssem resultou em mais de cinco mil pontos de cultura espalhados por todo o país e uma tecnologia social que virou modelo e hoje é exportada para todo o mundo. Mas não foi só isso, durante esses anos houve uma intensa movimentação, tanto em listas virtuais quanto em encontros presenciais de dezenas de milhares de agentes, entre eles artistas, produtores, pesquisadores, gestores, jornalistas e cidadãos em geral interessados em discutir políticas públicas para a cultura. Foram organizados fóruns onde se discutiu exaustivamente cada ponto considerado importante nas respectivas áreas. Mais do que simples consultas, as conferência de cultura se transformaram numa demonstração vigorosa do exercício democrático com a capacidade de anular, por si, qualquer possibilidade de clientelismo de um lado e de dirigismo por outro. Isso em cada setor, mas também transversalmente. A criação desse canal de interlocução inédito da sociedade civil com o governo por sua vez, impulsionou a criação de grupos, coletivos, associações e cooperativas em todos os cantos, que vieram respaldar e dar legitimidade aos fóruns. A fermentação dessa massa gigantesca resultou no Plano Nacional de Cultura, que por sua vez integra o Sistema Nacional de Cultura, com a proposta de implementação de ações coordenadas com ramificação nas esferas federais, estaduais e municipais. Outro movimento importante foi a correção das distorções da famigerada Lei Rouanet com a criação do Procultura – Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura aprovado recentemente no Congresso Nacional. Um dos trunfos do programa é a criação de fundos setoriais – uma demanda antiga da classe artística – geridos a partir de colegiados e comitês formados por representantes da sociedade civil e repasse de verbas através de editais públicos com critérios claros e transparentes. Vale menção ainda a consulta pública para revisão da Lei dos Direitos Autorais e toda a cruzada do Ministério da Cultura a favor da cultura livre, da ampliação do acesso à banda larga, a implantação do Vale Cultura, que deverá promover o acesso de uma parcela significativa da população brasileira a produtos e bens culturais e a articulação da Proposta de Emenda à Constituição n° 150, de 2003, a PEC da Cultura, com elevação dos patamares orçamentários nas três esferas do poder. Claro que ainda falta muita coisa! Ressentimos por exemplo a inexistência de indicares para um diagnóstico mais preciso sobre as atividades culturais no país, que movimentam milhões mas estão pautadas em sua grande maioria pela informalidade; a revisão do enquadramento jurídico e dos encargos tributários para as empresas e profissionais do setor artístico; a reestruturação da FUNARTE e a criação das agências para cada setor; enfim, ainda há muito trabalho pela frente. Mas mesmo as críticas tem sido absorvidas e debatidas publicamente em várias ocasiões. Muitas delas, cabe dizer, vindas de lobbies e grupos que viram seus interesses ameaçados, que tentaram desqualificar as propostas a priori com receio de que as mudanças – principalmente a revisão da Lei Rouanet e a reforma da Lei do Direito Autoral – interferissem nos lucros e privilégios adquiridos durante anos de limbo. Mas, de todas as críticas, uma ganhou destaque na imprensa e merece atenção especial aqui pela importância do interlocutor e sua posição estratégica em meio ao processo como um todo. Caetano Veloso foi um dos críticos mais contumazes da gestão, manifestando publicamente seu descontentamento com os rumos das políticas do Ministério da Cultura e com as posições defendidas pelo ministro. Mas foi o próprio Caetano quem declarou certa vez que “Rogério Duarte disse numa louca conversa em 68 que Gil era o profeta e eu apenas o seu apóstolo.” O caráter profético da máxima ganha contornos inusitados quarenta anos depois. O fato é que o próprio Caetano reconheceu, ao fim do mandato do colega de Tropicália e importância de sua passagem pelo Ministério da Cultura, a projeção e destaque alcançados por um Ministério antes invisível. Mas no momento em que Caetano defende a liberação do iTunes para venda de músicas online no Brasil em seu artigo semanal no jornal O Globo ele efetivamente se torna um apóstolo de Gil na sua cruzada pela cultura digital. Gil foi o primeiro artista do primeiro escalão a perceber as mudanças na estrutura de funcionamento da indústria fonográfica e investir num novo modelo de negócios. Disponibilizou arquivos para download gratuito e defendeu a flexibilização do direito autoral; fez as primeiras transmissões ao vivo pela internet e foi também pioneiro na utilização de plataformas 2.0; incorporou os princípios do software livre e da economia criativa não só ao seu discurso mas à sua própria obra. Mas há pelo menos mais dois fatos que chamam a atenção neste momento. O primeiro é a disputa, até então inédita, pelo cargo de Ministro da Cultura. Eu já acompanhei pela imprensa a citação de pelo ao menos duas dezenas de nomes cogitados para assumir a pasta no novo governo. Até muito pouco tempo não havia o menor interesse, nenhum partido disputava a cultura, era perfumaria, moeda de troco na barganha dos ministérios – como infelizmente ainda acontece em muitas secretarias e fundações em municípios e até estados. Outro fato interessante é que a partir de 2011 o ensino de música volta a ser obrigatório nas escolas brasileiras, em cumprimento à lei sancionada em 2008. Reivindicação legítima e urgente da classe musical, o ensino de música nas escolas deve exercer a médio e longo prazo um impacto imenso no perfil dos consumidores e na qualidade da produção de um país que já é reconhecido como um dos mais musicais do planeta. É inevitável pensar no arco que vai do canto orfeônico nos anos 40, passa pela reformulação curricular durante a ditadura militar – que excluiu o ensino de música e reduziu a carga-horária e a importância das disciplinas ligadas às artes e humanidades em geral -, e o retorno do ensino de música ao currículo obrigatório. Nesse intervalo entre a atuação de Villa-Lobos e a gestão de Gilberto Gil / Juca Ferreira a cultura parece ter assumido uma dimensão política até então inimaginável. Graças a essa nova configuração estamos a caminho de realizar em ato, nos próximos anos, as potencialidades do Brasil transformando-o em referência na produção e no acesso a uma das matérias mais sofisticadas do intelecto humano, que é a arte e a cultura. Agora portanto é bola pra frente, não é possível mais recuar!

O Partido da Cultura e as Eleições 2010
Leonardo Barbosa | quinta-feira, 11 novembro 20102 Comentários
O PCULT – Partido da Cultura surgiu meses antes das eleições de 2010. Não que nunca houvesse manifestações, movimentos e artistas na discussão da política cultural. Houve e muitos. O que o PCULT tentou arregimentar foi um movimento suprapartidário que envolvesse o setor cultural no intuito de pautar deputad@s, senador@s, governador@s e president@s seu compromisso com o amadurecimento das políticas culturais no Brasil. A gestão Gil-Juca abriu portas para que novos atores do fazer cultural pudessem tomar partido; não no sentido formal da constituição partidária que se dá a política, mas no sentido do reconhecimento da Cultura como a maior bandeira nodesenvolvimento de um país e mundo mais igualitário e horizontal . Por uma política 2.0. Por uma política cultural que veja a cultura como elemento básico, estratégico e essencial da relação entre as pessoas, povos e comunidades.

A partir da constituição deste movimento vemos surgir nos estados seus diretórios, organizando sabatinas, encontros, debates, reflexões, propostas com @s candidat@s numa sucessão volumosa de acontecimentos que trouxeram à tona a organização do setor cultural. Em 15 de julho, a CUFA-MT (Central Única das Favelas) é o primeiro movimento a iniciar as declarações de apoio. No dia 20 de julho, o PCULT-DF se reúne discutindo apoio a candidaturas e mapeamento de agentes culturais. Aos poucos vemos a mídia tradicional, jornais e revistas, entendendo a movimentação e importância do PCULT e dando o espaço que o movimento já vinha conquistando no youtube, no twitter e no seu blog.

Ponto importante de intersecção de ideias foi durante o Fórum dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, realizado em Rio Branco (AC), declarando apoio ao movimento e fortalecendo a relação com os gestores. Ao mesmo tempo, o movimento surge como um espaço vivo de organização política dos artistas em alguns Estados. Em 20 de julho, o PCULT-GO se reúne pra discutir o Centro Cultura Oscar Niemeyer, construção inacabada.

24 de julho, em São Paulo, o candidato a governador da oposição faz uma reunião aberta com o setor cultural, criando um plano de governo para o setor colaborativo. O PCULT-AM, no dia 30, começa a criar sua agenda com um texto de mobilização para o setor no Estado. Mais Estados se organizam: Amapá, Roraima, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará. Por mais que nos debates à presidência a Cultura nunca é posta, as bancadas começam a proliferar.

O Rio de Janeiro traça um interessante painel, sentando à mesa para discutir política cultural com partidos tão diversos como PSDB, PT e PSOL. A coerência do movimento suprapartidário é posta à prova. O PCULT não apoia nenhum candidato ao segundo turno; mesmo que movimentos participantes, em sua legitimidade, o façam, o Partido da Cultura é maior que partidos, nomes, correntes. É um movimento em busca da solidificação de uma Política de Estado.

E muito dessa movimentação se deu nas articulações virtuais que a lista de e-mails nacional do PCULT interligou. De manifestações lúdicas, poéticas a análises críticas. Os anos 60 encontraram os anos 2000 pra gozar de verdade e figuras como @laladeheinzelin, @PradoClaudio, @penas, @PabloCapile, @rodrigosavazoni trouxeram luz & suor à causa.

Através desses diálogos nota-se a autonomia da movimentação da classe artística brasileira, que teve um salto quantitativo e qualitativo gritantes nos últimos anos, principalmente no fortalecimento da cultura digital desses últimos 10 anos: a comunicabilidade entre os artistas, produtores e a cadeia produtiva de uma maneira geral trouxe uma outra forma de se pensar a cultura e a economia. A autogestão, a economia solidária, a cultura digital, a rede como principal meio de atuação e troca são as tônicas que contribuiriam para a construção do PCULT.

Chegando a ter a força simbólica do manifesto-movimento muito agregador da classe que foi o intitulado ‘1% para a cultura’, organizado por artistas e intelectuais e movimentos sociais-culturais, que, guiado por prerrogativas da UNESCO, lutava pela aplicação de 1% do orçamento direto no Ministério da Cultura.

Essa “autogestionabilidade”, unida ao aumento do poder de comunicação entre a classe artística/cultural potencializa essa autonomia, uma vez que o fazer cultural não está refém nem do poder público, nem da iniciativa privada. Dessa maneira consegue dialogar com candidatos e membros atuais do poder público de maneira organizada e sistêmica, esclarecendo o quanto a cultura gera para a economia através da indústria criativa, além de aumento do capital simbólico em relação à conscientização social e arte.

A movimentação da cadeia produtiva somada à agitação cultural gerou um considerável chamariz para entidades participativas, ao mesmo tempo em que gera a auto-sustentabilidade do processo cultural, o que garante a autonomia. Outra consequência desse levante é o aumento da conscientização e mobilização da classe artística como um todo, muitos conquistados por essa autonomia que virou a mesa e redefiniu o processo cultural no Brasil. Conscientização não apenas da sua função política mas de todo o processo como um todo. A cultura é para a sociedade doconhecimento o que foi o aço para a revolução industrial .

Por isso foi um marco simbólico para o movimento a realização da pesquisa ‘Investimento dos Governos Estaduais edo Distrito Federal na Atividade Cultural’ . Primeira de inúmeras pesquisas necessárias à compreensão do investimento feito no setor, o PCULT fez um estudo comparativo dos orçamentos do órgão em cada Estado, indicando, assim, a distorção de prerrogativas naturalizadas tais como o Sudeste investe mais no setor.

Comparativamente a seus orçamentos gerais, Estados como o Amazonas, o Pará, a Bahia, Pernambuco, Acre, Maranhão investem mais do que São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo. Se lutamos para que todo o Brasil entre no Sistema Nacional de Cultura e que todo Estado invista 1,5% na Cultura, esta essencial pesquisa nos mostra que estamos ainda muito longe desta dotação.

Ao final das eleições vemos que o importante sentimento de potência de que a transformação pela cultura através da política é possível. A potência de um novo espaço-tempo de mudança geracional digital.

De poesias a cartas-propostas dos estados a vídeos de personalidades militantes do cenário cultural, buscou-se levantar a pauta da cultura como setor estratégico de um mundo e uma política na qual a cultura fosse vista transversalmente em todos seus aspectos do desenvolvimento humano.

(mais louco é quem me diz!!!!)

Um movimento que incindiu com a intenção de pautar as eleições, torna-se agora o fiscalizador, o proponente, o idealizador de uma nova política. A necessidade de institucionalização definitiva: políticas públicas!

Estamos tod@s junt@s escrevemos nosso manifesto Pau-Brasil da política.

Fazendo do viver trincheiras. Marcharemos Virtualmente

O Partido da Cultura agora inicia seus trabalhos.

Permacultura: Estratégia de Planejamento Sustentável

Cecília Arlene Moraes[1]

A biosfera terrestre atua como um sistema fechado, a manutenção natural dos seus elementos segue uma dinâmica cíclica. A extração e a utilização maciça, de forma linear, de recursos naturais não renováveis, e a deposição de resíduos neste mesmo espaço ambiental, implica na exaustão e degradação destes e de novos elementos antes concentrados, ocasionando instabilidade no sistema global e a indisponibilidade de recursos às sociedades futuras. Portanto, sustentabilidade é incompatível com o capitalismo selvagem, com lucros exacerbados ao curto prazo, em detrimento de outros seres vivos, quer sejam, humanos, vegetais ou animais.

 

A sustentabilidade urbana ou rural está atrelada a um novo conceito – design – estratégia de planejamento sistêmico de espécies animais e vegetais perenes, ou que se perpetuam naturalmente e são úteis ao ser humano. Este sistema sustentável foi na década dos anos 1970, cunhado por Bill Mollisson, de Permacultura, um modelo de cultura sustentável, lastreado por princípios éticos e de design.

 

É um novo paradigma, significa que antes de agir deve-se fazer a conexão: Sentir/Percepção – Pensar/Estudar – Planejar/Design. Usar a inteligência, preferencialmente de forma coletiva, por uma equipe multidisciplinar para criar ambientes e sistemas integrados flexíveis que tornem tudo produtivo, com múltiplas funções, atuando com responsabilidade, consciência, e compromisso com as gerações futuras. É ampliar a visão se desdobrando para 20, 50 e mais de 100 anos, transformando as ações em impactos positivos.  É reverter impactos negativos já causados ao longo do tempo e recuperar áreas degradadas.

 

Na Permacultura a estratégia de planejamento com sustentabilidade é, por exemplo, a bioconstrução de casas, edifícios, escolas, escritórios, propriedades rurais, relacionados com três eixos éticos: cuidar do ambiente natural o sol, a água, a terra; cuidar do ambiente social, das pessoas, das comunidades, considerando sua identidade cultural, seus hábitos e costumes; empreender um sistema produtivo com gestão organizacional sustentável, capaz de gerar trabalho decente, produtos e serviços de elevada qualidade, preço justo, distribuição de renda e compartilhar excedentes. O propósito é manter uma nova ordem de Eco-Ação usando os 6 R: Repensar (Sistema Holográfico Vivo); Recusar (Evitar Consumismo); Reduzir (Evitar o Desperdício e o Retrabalho); Restaurar (Revitalizar Espaços, Peças e a Identidade Cultural); Reutilizar (Dar novas formas de uso aos Recursos Naturais e Materiais); Reciclar (Transformar os Materiais). Permacultura é viver conectado com a natureza, onde nada se perde tudo se transforma, faz parte do todo, na relação de todos os seres vivos conectados: Somos UM!

 

O pensamento e a visão holográfica de mundo são diferentes, da situação de desenvolvimento posta atualmente. È uma forma conectada de percepção, do processo de gestão, volta-se para o desenvolvimento econômico local enfatizando o desenvolvimento humano e a responsabilidade socioambiental. É uma grande virada!

01/Outubro/2010

 

[1] Administradora, Mestre em Saúde e Ambiente, Doutoranda em Psicologia, Professora da UFMT, Permacultora, Consultora em Tecnologia de Gestão com Sustentabilidade. athenna@terra.com.br




[1] Administradora, Mestre em Saúde e Ambiente, Doutoranda em Psicologia, Professora da UFMT, Permacultora, Consultora em Tecnologia de Gestão com Sustentabilidade. athenna@terra.com.br

Heloisa Buarque de Hollanda – novas visões sobre periferia

Por Blog Acesso

 

Todos os dias, novos projetos culturais invadem as favelas do Rio de Janeiro. Ideias assistencialistas, de desenvolvimento da comunidade, diminuição do tráfico, ajuda à saúde, à educação e, claro, à cultura. Porém, são poucos os que olham para a realidade da favela e enxergam entre seus moradores artistas e, quiçá, intelectuais que necessitam de uma educação formal na área de cultura, já que experiência e sensibilidade sobram.

Foi debruçada sobre os estudos das periferias e trabalhando em projetos socioculturais que a lingüista e coordenadora doPrograma Avançado de Cultura Contemporânea – PACC da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJHeloisa Buarque de Hollanda, descobriu ainda mais sobre a cultura nas comunidades. Se pouco era feito, era porque menos ainda se conhecia, dentro do espaço acadêmico, sobre esses saberes da favela. A fim de promover a produção de conhecimento e criações artísticas em literatura, artes visuais, teatro, dança e música, Heloisa Buarque de Hollanda propôs a seus colegas da UFRJ A criação da Universidade das Quebradas, projeto que leva os moradores das periferias para dentro da universidade, por meio de um curso de extensão.

Em entrevista ao Acesso, Hollanda vai além da criação, desenvolvimento e expectativas sobre o projeto, e conta que, após quase meio século de vida acadêmica, tem compartilhado com os moradores das favelas um conhecimento que a muito não adquiria.

ACESSO – Como se deu esse salto de trabalhos acadêmicos na área de cultura desenvolvidos dentro da universidade pelo PACC para a criação de uma ação social?
Heloisa Buarque de Hollanda – Eu estava trabalhando há muito tempo com a periferia, desenvolvendo pesquisas, e percebia que a academia tinha completo desconhecimento do que era a favela, do que pensavam as pessoas que ali viviam. Mesmo eu, que frenquentava bastante esse ambiente, não conhecia muito, sabia que existiam intelectuais maravilhosos, mas não tinha conhecimento sobre o que eles pensavam. Foi então que propus uma troca de experiências, ao invés de continuarmos com os trabalhos já existentes.

ACESSO – E qual é o objetivo dessa troca? 
H.B.H. – A principal ideia da Universidade das Quebradas é que haja uma troca de saberes e práticas de criação e produção de conhecimento entre membros da academia e dessa “elite”, possuidora de conhecimento informal, para que se articulem experiências culturais e intelectuais produzidas dentro e fora da academia.

ACESSO – O que há de especial nos artisitas/ alunos da universidade? Como eles foram selecionados? 
H.B.H. – São artistas com trabalhos consolidados em suas comunidades que apontam como revelações. Abrimos o processo de seleção e chamamos esses nomes expoentes dentro do universo das favelas. Dos convidados à seleção, tivemos 80 inscritos, que passaram por avaliação de portfolio e entrevista. No fim, foram selecionados 20. Apostamos em indivíduos que farão ou já fazem parte da história da arte no Brasil. Temos rappers, poetas, artistas plásticos, entre outros, que formam a massa crítica da periferia.

ACESSO – Após tantos anos lecionando, que diferenças são perceptíveis no processo de trabalho, em um projeto de inclusão sociocultural?
H.B.H. – A grande diferença de um trabalho como esse, quando realizado para um grupo da periferia ou de jovens de classe média, é que o segundo grupo vem com uma bagagem acadêmica diferente, já que o morador da periferia não teve a oportunidade de estudar formalmente aquele assunto antes. Muitos já tiveram contato com boa parte do conteúdo abordado em aula, porém não de forma organizada. Eles têm uma demanda de conhecimento reprimida e, consequentemente, uma busca muito mais entusiasmada. E é isso que faz dessa troca algo tão rico.

ACESSO – Seguindo essa ideia da troca de saberes, como são desenvolvidas as temáticas escolhidas, de modo a desenvolver um conteúdo intelectual formal sem perder a relação de intercâmbio de conhecimento? 
H.B.H. – Começamos pela antiguidade, falando sobre a Ilíada e a Odisseia. Temos uma aula em que os professores se articulam mais para expor o tema e, na semana seguinte, promover o debate. Nesse fórum, ouvimos mais os alunos. E fiquei impressionada com o quanto eles têm a dizer. Quando falamos de mitologia e de cultura formal, eles associam à mitologia existente na favela. Todos têm uma familiaridade absurda com os assuntos abordados, mas vinda de universos simbólicos de suas próprias vidas.

ACESSO – Se a concepção da Universidade das Quebradas é dar acesso a um conhecimento formal a artistas de periferias e promover seu desenvolvimento, ao fim do curso, eles desenvolvem projetos de pesquisa? 
H.B.H. – Sim. Todos os alunos deverão apresentar ao fim do curso um projeto de pesquisa. Isso é parte fundamental para que recebam seus certificados. A proposta é que nós, professores envolvidos com a Universidade das Quebradas, orientemos esses trabalhos. Agora, após algumas aulas, percebo que esse projeto será fundamental, pois, mais do que a necessidade de adquirir novos conhecimentos, eles necessitam de treinamento para articular seu conhecimento.

ACESSO – A partir dessa primeira experiência, já dá para traçar planos para a edição do próximo ano? Que novos projetos estão previstos a Universidade das Quebradas?
H.B.H. – Tenho 74 anos e já criei muitos projetos ao longo de minha carreira. Hoje, não planejo nada a longo prazo. Crio projetos para serem concretizados em seis meses, um ano, e depois reformulo para ir em frente. Aprendi que não posso ter tantas expectativas; tudo acontece por tentativa e erro. As aulas acabaram de começar e eu estou apaixonada. É uma situação completamente nova para mim. E o mais encantador é que está funcionando. Estou entusiasmada com o processo, mas sem pretensões.

ACESSO – O trabalho com a periferia esteve presente em sua vida, desde a juventude, correto? Fazendo um comparativo, qual é a grande novidade da Universidade das Quebradas para você?
H.B.H. – Eu sou da geração de 1960. Sou da época em que se ia para as favelas para ensinar os moradores, sem qualquer preocupação com o que eles pensavam ou necessitavam. Sinto que eu mudei e essa relação também. AUniversidade das Quebradas me fez ver que é essa nova relação a que eu quero. Achei um novo lugar para falar e aprender.

Luíza Costa / blog Acesso

Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

MinC investe em projetos de proteção e promoção da diversidade no Brasil

Hoje, 21 de maio, é comemorado em mais de 100 países o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2001, mesmo ano em que foi feita a Declaração Universal da Unesco sobre a Diversidade Cultural. Em 2005, a Assembléia Geral da Organização adotou a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. A convenção foi promulgada no Brasil em 2007 e, até agora, 109 países já ratificaram o documento.

Para comemorar a data a Unesco criou em 2008, o Festival Internacional da Diversidade. O evento, que começou no dia 17 e vai até o dia 27 de maio, está sendo realizado na sede da Unesco, em Paris, com atrações musicais e artísticas que têm como característica a diversidade cultural. O Festival, que acontece simultaneamente em vários países membros, busca dar voz e visibilidade à riqueza da diversidade cultural em todo o mundo.

No Brasil, o Ministério da Cultura criou no dia 7 de abril de 2004, por meio do Decreto n.º 5.036, a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID) com o objetivo de promover e proteger a diversidade das expressões culturais. Em 2007 foi lançado, no âmbito da SID, o Programa Identidade e Diversidade Cultural – Brasil Plural, para garantir o acesso dos grupos e redes de agentes culturais, responsáveis pela diversidade das expressões culturais brasileiras, aos recursos públicos para o desenvolvimento de suas ações.

Para o secretário da Identidade e Diversidade Cultural/MinC, Américo Córdula, o reconhecimento e a valorização da diversidade cultural estão ligados à busca da solidariedade entre os povos, à consciência da unidade do gênero humano e ao desenvolvimento dos intercâmbios. “A luta pela promoção da diversidade e dos intercâmbios culturais é a nossa forma de mostrar que outro mundo é possível”, afirma Córdula.

Segundo ele, orientada pelo princípio da dimensão cidadã da cultura, a SID desenvolve suas políticas em parceria com a sociedade civil, articulando lideranças e entidades representativas, por meio da constituição de grupos de trabalho, colegiados, fóruns, oficinas temáticas, seminários e congressos. “A atuação da Secretaria consiste na promoção de diálogos com segmentos da comunidade cultural que têm pouco acesso aos mecanismos de incentivo”, esclarece o secretário.

Estímulo à diversidade cultural com premiação
A Secretaria busca ainda fomentar as várias manifestações da diversidade cultural por meio da publicação de editais de premiação de iniciativas e projetos culturais desenvolvidos por segmentos como os indígenas, os mestres da cultura popular, os ciganos, os idosos, a juventude, os integrantes do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), as crianças, os deficientes e as pessoas em sofrimento psíquico.

Entre 2005 e 2009 foram realizados 15 concursos públicos que receberam 7.595 inscrições. Do total de inscritos, 1.380 projetos foram premiados pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural. Cerca de R$ 20 milhões foram investidos nesses editais no período de 2005 a 2009 e, em 2010, mais de R$ 5 milhões serão aplicados na realização de 5 editais.

Três deles, o Prêmio Cultura Hip Hop 2010 – Edição Preto Ghóez, o Prêmio Culturas Ciganas 2010 e o Prêmio Inclusão Cultural da Pessoa Idosa – Edição Inezita Barroso já estão com as inscrições abertas (www.cultura.gov.br/diversidade). A SID realizará, ainda neste ano, os concursos: Prêmio Arte e Cultura Inclusivas 2010 – Edição Albertina Brasil – Nada sobre Nós sem Nós, e Prêmio Culturas Indígenas – Edição Marçal Tupã-y.

Unesco acredita que a diversidade pode abrir canal de diálogo entre os povos
A diretora geral da UNESCO, Irina Bokova, lembrou, em manifesto oficial, “que, no Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvovimento, devemos refletir sobre as formas de participar, humana e concretamente, da construção da tolerância para com as diversas manifestações culturais de todos os países”.

Bokova cita ainda a Declaração Universal da UNESCO para a Diversidade Cultural elaborada em 2001: “Ela postula, com firmeza, que a diversidade cultural é tão necessária para o ser humano, como a biodiversidade é para a natureza. Nesse sentido, constitui patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações do presente e do futuro”, informa a diretora da Unesco.

Para Bokova, apesar de vivermos num mundo interconectado, ainda temos dificuldades de comunicação e, para tanto, devemos intensificar o diálogo entre as culturas com o objetivo de estreitar os laços entre os povos de todo o planeta e facilitar o progresso das civilizações. “Temos que ter consciência de que todas as culturas são iguais em dignidade e direitos”, observa ela.

A diretora geral da Unesco aproveita a data para conclamar os governantes, as comunidades e a sociedade civil, de todos os países, para que adotem medidas concretas em defesa da diversidade cultural, colocando-a na vanguarda do diálogo. “Todos nós devemos avançar com o objetivo de construir um mundo solidário, cuja riqueza e força estejam no coração de sua diversidade”, reivindica Bokova.

Trabalho pioneiro do MinC
A coordenadora cultural da Unesco no Brasil, Jurema Machado, acredita que a diversidade cultural brasileira, seja no campo da culturas, dos conhecimentos tradicionais, da arte e da criatividade, tem um enorme significado no contexto mundial . “O país atravessa um dos períodos mais marcantes da sua história tendo em vista que a gestão dessa diversidade, ou seja, a capacidade do Brasil de manejar esse acervo de forma a, não apenas garantir a sua manutenção, mas também assegurar a sua incorporação ao processo de desenvolvimento, interessa não apenas aos brasileiros, mas também ao resto do mundo”, reflete Machado.

Para a coordenadora da Unesco, o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural, tem desenvolvido um trabalho pioneiro, em suas ações de políticas culturais, no que se refere à introdução sistemática desse tema, em toda a sua amplitude. “Além disso, desconheço, em outros países do mundo, um trabalho tão dedicado, amplo e contínuo de difusão e divulgação da Convenção da Unesco para a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais como o que tem sido feito no Brasil”, assegura ela.

(Heli Espíndola- Comunicação/SID)

 

 

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Durante todo o mês de maio, ocorre em São Paulo a quinta edição do Antídoto – Mostra Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito, uma parceria entre o Itaú Cultural e o Grupo Cultural AfroReggae para debater o poder transformador de projetos culturais diante dos diversos tipos de violência – social, étnica ou religiosa.

Participam desta edição músicos, artistas, líderes sociais, intelectuais, jornalistas, escritores e pensadores de comunidades brasileiras e internacionais que virão de países como Guiné Bissau, Moçambique, Paquistão, República Democrática do Congo, Zâmbia, Índia, Irã, Serra Leoa, Galícia, México, Grã Bretanha e Estados Unidos. A proposta do encontro é fomentar a reflexão e compartilhar experiências e alternativas para a produção cultural em áreas de conflitos sociais, religiosos, étnicos, e suas conseqüências na vida das comunidades e grupos sociais. Além dos debates, o mês é recheado de shows, lançamento de documentários e mostra de filmes, sempre relacionados com o tema.

A fim de democratizar o acesso à programação para aqueles que residem fora da cidade de São Paulo, as mesas do seminário, que acontecem entre 19 e 21 de maio, serão transmitidas ao vivo no site, em inglês e português, com espaço para perguntas e mensagens dos internautas.

Parceiro na coordenação da mostra Antídoto, o Grupo Cultural AfroReggae  é uma organização que luta pela transformação social por meio da cultura e da arte, explorando as potencialidades artísticas de jovens que vivem em comunidades de baixa renda, marcadas pela violência e pela criminalidade. O Grupo utiliza atividades artísticas, como percussão, circo, grafite, teatro e dança para tentar transformar a realidade desse público – estima-se que já tenham sido atendidas cerca de 2500 pessoas. Atualmente, o Grupo atua nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Complexo do Alemão, Cantagalo-Pavão-Pavãozinho e Comunidade do Jardim Nova Era (Nova Iguaçu).

Segundo o coordenador de Parcerias Governamentais do AfroReggae, Reginaldo Lima, a ideia de promover um encontro como o Antídoto surgiu da necessidade de ampliar o diálogo e de gerar um intercâmbio com pessoas e entidades que têm as mesmas preocupações. “Pelo mundo afora há muita gente que trabalha a questão da arte e da cultura como meio de inclusão social. Precisávamos saber o que estava acontecendo em outros cantos do mundo e descobrimos que existe uma aproximação de igualdade, uma empatia muito grande de missão”, diz. Trabalhar com cultura em áreas de conflito, para ele, é uma prática antiga, que sofreu uma série de modificações ao longo dos séculos, mas que mantém a essência: as emoções humanas. “Hoje. a cultura tem influência transformadora na sociedade. Em periferias do Brasil e do mundo, há mais incidência de conflitos do que de violência: o conflito humano, emocional, de cultura. E a cultura é importante para melhorar a vida do cidadão, seja na periferia, ou em qualquer outro lugar do mundo”, observa. Lima ressalta que o Antídoto é o cume da discussão que eles promovem cotidianamente nas comunidades em que atuam.

Com o que o gerente do Núcleo de Música do Itaú Cultural, Edson Natale, concorda. “A ideia de fazer o Antídoto surgiu quando  o AfroReggae passou por uma situação complicada de mediação de conflito entre as comunidades Parada de Lucas e Vigário Geral. Conversando, pensamos: Como será nos outros países? Como no Afeganistão, por exemplo, se lida com essa situação?”, relembra. Natale afirma que, desde a primeira edição, o Antídoto manteve sua essência, com pequenas variações a cada ano. “O projeto é muito vivo para ficar num compartimento fechado. De uns anos para cá, o evento passou a trazer também mostras de filmes e shows, além dos seminários”, explica. A transmissão ao vivo faz parte das novidades deste ano. “Além de permitir o acesso dos que residem fora de São Paulo, essa medida visa expandir o evento internacionalmente. Organizações do exterior também poderão acompanhar o debate, uma vez que haverá transmissão em inglês”, complementa. Todo o conteúdo gerado ficará disponível no site mesmo após o fim da mostra.

Natale confidencia que o Itaú Cultural ainda pretende produzir uma publicação aprofundada com o tema debatido. Na 3a edição do evento, foi distribuído gratuitamente um livro recheado de textos e entrevistas dos participantes das 1ª e 2ª edições do Antídoto, mas o novo projeto teria uma fórmula diferente. “Também queremos gerar conteúdos específicos sobre os debates dos seminários”, explica o gerente do Núcleo de Música do Itaú Cultural. Apesar de ainda não haver confirmação, o coordenador revela que há a intenção de levar o evento para outras cidades em um formato “pocket” da mostra, compactada em um ou dois dias.

V Antídoto – Mostra Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito
De 1 a 30 de maio, na Sala Itaú Cultural (214 lugares)
Entrada franca. Ingressos distribuídos com meia hora de antecedência

Laís Nitta / blog Acesso

Folha de S. Paulo – Ana Paula Sousa

A administração da cultura no país ainda segue os modelos erguidos por Gustavo Capanema e Mário de Andrade.

Ao contrário de França, EUA e Inglaterra, país não definiu prioridades para a cultura e tenta estabelecer limites entre Estado e mercado.

Foi o escritor Pedro Nava quem constatou: "Tudo começou com Capanema". Pode não ter sido tudo. Mas foi quase.
Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde Pública do governo Getúlio Vargas, ergueu a sede do Ministério da Educação, no Rio, com traçado de Le Corbusier, criou o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Instituto Nacional do Livro e o Museu Nacional de Belas Artes.
Villa-Lobos dedicou a ele a "Bachiana nº 5". Drummond de Andrade chefiou seu gabinete. Mário de Andrade foi um de seus auxiliares mais próximos.

Sem negar a validade da frase de Nava, é importante dizer que coube a Mário de Andrade, em 1935, a criação do departamento de cultura do município de São Paulo. Naquele momento, estabelecia-se que o Estado tinha o dever de oferecer cultura ao cidadão e o poeta modernista tornava-se nosso primeiro administrador cultural.
Oito décadas passadas, Andrade e Capanema são, ainda, as principais referências teóricas da política cultural brasileira. "Dentro de um conceito do século 21, a gente tentou retomar a importância que a cultura teve nessa época para a formação da identidade brasileira", diz o ministro Juca Ferreira. "Hoje, sabemos que o Estado é incontornável. Se deixarmos a cultura nas mãos do mercado, o direito de acesso do povo não se realiza plenamente."

O dilema do mercado
Se com Capanema começa a se desenhar a participação do Estado na cultura e com Mário de Andrade conceituou-se o que é gestão pública, com as leis de incentivo -fortalecidas nos anos 1990 -o Brasil aderiu à chamada economia da cultura.
Além da Lei Rouanet, uma série de leis de incentivo criadas por Estados e municípios injetaram, no setor, dinheiro de imposto das empresas privadas e estatais. "O artista ainda tende a esperar o paternalismo, o dinheiro para suas produções", diz Ney Piacentini, da Cooperativa Paulista de Teatro. "Houve um descaso com o público."
Para Sharon Hess, que trabalha com captação de recursos e fez mestrado em gestão de políticas públicas na Inglaterra, o problema, no Brasil, é que se discute o modelo, mas não a política. "O que se quer para a cultura? Essa resposta não está clara", diz. "Para a educação, o governo estabeleceu metas. Por que não fazer isso com a cultura? O que o país quer? Desenvolver políticas de acesso, investir em cultura popular ou em grandes eventos?"

A partir dessas perguntas se estruturaram os três grandes modelos do mundo: o francês, o norte-americano e o inglês.
Na França, cabe quase tudo ao Estado. Saíram dos cofres públicos, em 2009, R$ 7 bilhões destinados a produtores das mais diversas áreas e perfis.
Nos EUA, existem grandes fundações privadas e um mecanismo de renúncia fiscal que, ao contrário do que acontece no Brasil, prevê contrapartida privada. Há, ainda, o dinheiro estatal distribuído pelo National Endowments for the Arts, uma agência federal que procura viabilizar o que, lá, é chamado de "excelência" nas artes. Trata-se, porém, de um volume restrito de dinheiro.

A Inglaterra, por sua vez, prevê R$ 5,3 bi anuais para a cultura, mas não é o Estado, como acontece na França, que cuida de sua distribuição. Existe um órgão intermediário, o Arts Council, formado por especialistas, que tem independência para definir o destino das verbas -desde que cumpra as metas determinadas pelo governo.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1304201009.htm

Estatísticas do consumo

Por Blog Acesso

 


Já dizia o sociólogo mexicano Nestor Canclini, emConsumidores e cidadãos – conflitos multiculturais da globalização, que “o consumo serve para pensar” sobre os “valores simbólicos e estéticos da racionalidade consumidora”. Nessa linha, foram desenvolvidas duas pesquisas sobre oferta e consumo cultural brasileiros, finalizadas em 2009, que ajudam a refletir sobre o perfil e o cenário do consumo de bens culturais no Brasil. São elas: Cultura em números – Anuário de Estatísticas Culturais 2009, o primeiro anuário de estatística da área cultural, desenvolvido pelo Ministério da Cultura – MinC; e Consumo de cultura do brasileiro, organizada pela Fecomércio do Rio de Janeiro.

Desenvolvido entre 2007 e 2008, pela Gerência de Estudos e Pesquisas da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, com base em dados de 2006, oAnuário de Estatísticas Culturais 2009 está longe de ser uma pesquisa avulsa promovida pelo Ministério. Ele é parte das ações de consolidação do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), um dos pilares do Plano Nacional de Cultura.

Andrea Gomes, pesquisadora do setor de Economia da Cultura, da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, participou do planejamento e análise do estudo, à época sob a coordenação de Pablo Martins, do extinto setor de Estudos e Pesquisas. Ela rememora que a ideia da pesquisa veio da constatação de que o Brasil precisava de um mapeamento no âmbito da cultura, e mais, de um único instrumento de estudo que congregasse dados da área, desenvolvidos por esferas diversas como o IBGE e o IPEA,  para pesquisadores e sociedade em geral. “Trata-se de um documento bastante significativo. Entre outros fatores, observa a diversidade da cultura nacional; revela o interesse da sociedade civil por conhecer e compreender seus resultados; mostra que a política cultural no Brasil tem sido pensada a partir de pesquisa investigativa, de dados concretos; e ainda estimula o Governo a continuar trabalhando na geração de informações, úteis para a elaboração de políticas públicas de cultura”, diz Andrea Gomes.

Para a composição do anuário, os pesquisadores lançaram mão de dados quantitativos levantados por fontes diversas, com destaque para oSuplemento de Cultura da Pesquisa de Informações Básicas Municipais – MUNIC 2006, documento fruto de uma parceria entre o IBGE e o MinC. As informações analisadas foram divididas em cinco áreas – oferta da cultura, demanda da cultura, indicadores culturais; financiamento e gestão pública da cultura –, abrangendo as mais diversas expressões culturais, entre elas patrimônio, teatro, artes plásticas, literatura e cinema.

No que tange as revelações, a pesquisa mostrou que, entre os anos de 2005 e 2006, o número de equipamentos culturais, como rádios FM locais (-33,1%), cinemas (-4,3%), livrarias (-3,1%), e rádios AM locais (2,5%), caiu em certos municípios brasileiros. Enquanto em outros, o aumento de equipamentos como teatro/salas de espetáculo (1,5%), bibliotecas públicas (4,8%) e museus (7%) foi surpreendente.

No quesito consumo, vale a máxima de que, quanto maior o grau de escolaridade, maior o consumo cultural (tabela 1). Assim como existe uma tendência de maior consumo cultural entre aqueles de maior renda, com exceção do consumo de televisão aberta (tabela 2).

Tabela 1

Tabela 2

Sobre a despesa familiar com crecreação e cultura, os gráficos mostram que o porcentual de investimento varia de R$ 44,76 a R$ 17,87, conforme a faixa etária, sendo os níveis mais elevados localizados entre pessoas de 40 a 60 anos.

Esses dados são importantes para diagnosticar “o consumo como lugar de distinção entre classes e grupos”, mas é preciso lembrar que, hoje, eles já estão defasados, uma vez que foram coletados há cinco anos.

Microcosmo
Em seu segundo ano de realização, a pesquisa da Fecomércio foi efetuada em 2008 e ouviu mil entrevistados, de 70 municípios brasileiros. O estudo chegou à conclusão de que o consumo de produtos culturais permaneceu estável no intervalo entre 2007 e 2008. Indo de encontro à pesquisa do MinC, os números confirmaram que a “variação do consumo de cultura está fortemente relacionada ao grau de instrução: enquanto apenas 11% dos que possuem nível primário leram pelo menos um livro em 2008, entre os entrevistados que possuem nível superior esse porcentual foi de 74%”.

Se a pesquisa do MinC ficou num nível mais macro, o trabalho desenvolvido pela Fecomércio entrou em detalhes sobre o consumo cultural. Descobriu, por exemplo, que  o “maior valor [monetário] médio, considerado justo pelo entrevistado, foi atribuído ao livro”, seguido por shows de música e espetáculos teatrais. Segundo as pesquisas, a família brasileira destina à cultura R$65 por mês, o que equivale a 4,4% de seu orçamento, com destaque para o consumo de livros. 30% dos entrevistados afirmaram terem lido um livro em 2008. Em termos comparativos, entre os portugueses, conforme o relatórioCultura 2008, disponibilizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, em dezembro de 2009, a taxa de leitores é maior, ainda que os jornais lusitanos a considerem baixa. Cerca de 43,7% dos portugueses abordados leram um livro e 4,6%, mais de 12 livros no ano.

Curiosamente, o Brasil é um dos principais importadores de livros para Portugal. Aliás, com relação à balança comercial lusa, o estudo revela que Portugal importa quatro vezes mais bens culturais do que aqueles que exporta, numa proporção de R$277 milhões de euros para 72 milhões de euros, respectivamente.

A pesquisa portuguesa indica dados com os quais ainda não podemos contar no Brasil. Segundo Andrea Gomes, do setor de Economia da Cultura, da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, “a pesquisa precisa incorporar novas variáveis em seu levantamento. Além disso, o próximo Anuário deve atualizar os dados de acordo com estudos mais novos”. Só nos resta refletir sobre as informações que temos e esperar por novos números para desenvolver uma série histórica.

O Acesso quer saber a sua opinião: o que você acha sobre os dados de consumo no Brasil? Os dados da pesquisa se aplicam à realidade da sua região?

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Quinze anos de Graduação em Produção Cultural « Acesso, o blog da democratização cultural

Quinze anos de Graduação em Produção Cultural

Por Blog Acesso

 

Na contramão da postura histórica de considerar a cultura como um assunto estanque, existe, hoje, um movimento de afirmação da cultura enquanto tema transversal a todas as atividades humanas, sejam elas de cunho econômico, científico, de saúde ou educação. Um dos adeptos desse pensamento, o dramaturgo Alcione Araújo destaca a necessidade de tratar, especificamente, cultura e educação como temas indissociáveis para um real avanço da humanidade.

No artigo Esquizofrenia na educação e cultura, publicado na Z Cultural, revista do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, Alcione fala dessa associação como vital para a construção de uma sociedade, no caso a brasileira, mais equilibrada e preparada para os desafios do futuro. “A história reconhece na aliança entre educação e cultura a primazia de criar sonhos e inventar meios de realizá-los. O valor simbólico da cultura fecunda o processo civilizatório, dos valores às leis, da política à vida. A herança de colonizado, a exclusão social e a elitização da cultura atrelam o futuro da produção artística ao que a educação lhe reservar – a cultura é dependente da educação. Se ela não cumpre sua missão, sufoca as artes. Não se pode pensar a Educação sem a Cultura, nem a Cultura sem a Educação”.

A fala do dramaturgo serve perfeitamente ao tema que se quer levantar nessa matéria, uma vez que a formação de profissionais de cultura deve ir além da simples especialização. Essa postura foi adotada por boa parte das universidades nacionais, que incluem em seus currículos disciplinas que dialogam com aspectos da globalização, do consumo, da reconfiguração urbana e das novas relações, entre outros, pensando na formação de um profissional que enxergue a cultura como fruto de uma construção coletiva. A ideia é dar instrumental a esse profissional para que ele desenvolva uma consciência crítica sobre a realidade que o circunda e utilize essa visão mais ampla nos projetos e atividades culturais que vier a planejar e executar.

Dados concretos
A formalização do curso de Produção Cultural é algo recente no ensino brasileiro, reflexo de demandas do mercado. Nos anos 90 do século 20, um boom de leis de incentivo à cultura gerou um aumento expressivo do número de atividades culturais realizadas pelo País e, consequentemente, a necessidade de instrumentalização dos profissionais atuantes no setor.

Se, no exterior, os primeiros cursos de formação em produção cultural apareceram em meados dos anos 70 – Arts Administration, na Inglaterra, e Arts Management, nos Estados Unidos –, no Brasil, o tema só ganharia peso acadêmico em 1995, com o surgimento da Graduação em Produção Cultural, do Instituto de Arte e Comunicacão Social da Universidade Federal Fluminense –UFF, em Niterói (RJ). De acordo com o coordenador do curso da UFF, Luiz Guilherme Vergara, “o programa foi pensado para atender a uma classe profissional emergente, com foco na circulação da produção artística nacional”.

De lá para cá, segundo Vergara, tanto o perfil quanto o trabalho do produtor cultural mudaram. “Hoje, existe uma tendência de dar continuidade à vida acadêmica. Nossos  alunos seguem no Mestrado e no Doutorado, pensando em retornar à Universidade via concurso público. Isso é uma revolução para o setor. No campus da UFF, em Rio das Ostras, temos professores substitutos e permanentes que foram alunos da Graduação”, afirma.

O professor também aponta a expansão do campo de trabalho para os produtores culturais, que podem atuar em áreas como as de planejamento, políticas públicas e produção artística. Por isso, considera cada vez mais importante que o ensino concilie as questões culturais com noções de cidadania, educação e responsabilidade social. “Tudo está interligado e é preciso formar profissionais com mais competência, entendimento sobre questões globais. Só assim serão capazes de atuar de maneira responsável”, resume.

Com o que o produtor cultural Ugo Mello concorda. Recém-formado em Produção e Comunicação em Cultura pela Universidade Federal da Bahia – UFBA, ele avalia as mudanças na cena cultural para os produtores. “Se, antes, faltava um maior profissionalismo ao mercado cultural, atualmente, existe uma busca por qualificação e aprimoramento. Com isso, têm surgido novos conceitos e áreas de atuação”, explica. Nessa linha, Mello aponta a preocupação com questões de responsabilidade social e sustentabilidade como inerente ao trabalho do produtor contemporâneo. “O profissional de cultura precisa estar preparado para lidar com a questão da responsabilidade. Como pensar um projeto cultural sem considerar essa realidade? Ainda mais quando o trabalho envolve grupos de risco ou de áreas periféricas”, diz.

O ex-aluno lembra ainda que a Graduação foi determinante para o ingresso na carreira, uma vez que possibilitou o contato com professores e profissionais da área, e a construção de um network. Porém, mesmo com redes já estabelecidas, vale lembrar que, por ser muito novo, o curso ainda caminha em direção a um maior reconhecimento, como revela o coordenador do Colegiado de Graduação em Comunicação – Produção em Comunicação e Cultura, da UFBA, Washington José de Souza Filho. “Em relação a outras formações como Medicina, Direito e Engenharia, a Produção Cultural sofre uma desvantagem: a falta de tradição do curso”. Souza Filho afirma que a institucionalização do curso de Produção Cultural reflete a necessidade de formação humanística da sociedade, e parafraseia a canção dos Titãs,  “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

Confira, abaixo, indicações dos entrevistados de livros e cursos relacionados à Produção Cultural.

Bibliografia:

Consumidores e cidadãos
Autor: Nestor García Canclini
EdUFRJ

Cultura e economia
Autor: Paul Tolila
Iluminuras

Entertainment Industry Economics
Autor: Harold Vogel
Cambrigde Univ. Press

Mercado Cultural
Autor: Leonardo Brant
Escrituras

Organização e Gestão de Eventos
Autor: Johnny Allen et al.
Elsevier

Organização e produção da cultura
Autor: Linda Rubim
UFBA

Políticas culturais no Brasil
Autor: Albino Rubim
UFBA

Políticas culturais: reflexões e ações
Autor: Lia Calabre
Itaú Cultural

Privatização da cultura
Autor: Chin-Tao Wu
Boitempo

The invention of Cultura
Autor: Roy Wagner
The University of Chicago Press

Cursos de Graduação:

Universidade Federal Fluminense – UFF (RJ)

FAAP (SP)

Universidade Federal da Bahia (BA)

Universidade Cândido Mendes (RJ)

Unisinos (RS)

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (RJ)

Université Paris 3 – Sorbonne Nouvelle (Paris, França)

Université du Québec à Montréal – UQAM (Montréal, Canadá)