Category: Patrimônio e Educação Patromonial


 

Quando Isaac Asimov escreveu em Escolha a catástrofe que no futuro “haverá uma tendência para centralizar informações, de modo que uma requisição de determinados itens pode usufruir dos recursos de todas as bibliotecas de uma região, ou de uma nação e, quem sabe, do mundo. Finalmente, haverá o equivalente de uma Biblioteca Computada Global, na qual todo o conhecimento da humanidade será armazenado e de onde qualquer item desse total poderá ser retirado por requisição”, ele não estava enganado. O exercício de futurismo do ficcionista se transformou em realidade entre os séculos 20 e 21, a tal ponto que o uso da tecnologia deixou de ser privilégio apenas dos nichos para ganhar solidez no cotidiano de milhares de pessoas.

Uma pesquisa recém-realizada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR sobre o Uso das tecnologias da informação e da comunicação por crianças, acabou de constatar que 57% das crianças brasileiras, entre 5 e 9 anos, já usaram um computador, sendo que 28% desse montante acessaram a internet. O estudo também revelou que os pequenos preferem o celular ao computador, sendo que 65% deles já usaram o aparelho para jogar ou ouvir música. No quesito acesso por região, o Sudeste perdeu a dianteira costumeira em outros temas. O Centro-Oeste lidera com 43% de seus entrevistados mirins tendo declarado o uso da web; seguido pelo Sul, com 40%, e o Sudeste, com 30%; quase empatados, aparecem na lanterninha o Nordeste com 13% e o Norte com 12%.

Com o acesso à tecnologia e à internet acontecendo cada vez mais cedo, a tendência é que ações envolvendo novas mídias e artes digitais ganhem cada vez mais espaço na vida das pessoas. Uma mostra desse prognóstico são os editais abertos na área de cultura, com enfoque para a linguagem multimeios. Confira os concursos abertos!

Programa de Residência LABMIS
O que é: o Laboratório de Novas Mídias do Museu da Imagem e do Som foi criado como um espaço de reflexão, intercâmbio de conhecimento e experimentação em novas tecnologias. Para estimular a produção artística e a inovação nos usos criativos de plataformas tecnológicas contemporâneas, o LABMIS promove residências artísticas nacionais e internacionais.
Prazo de inscrição: 01 de setembro a 24 de outubro
Informações: www.mis-sp.org.br

•    20 segundos por tu planeta
O que é: concurso peruano de vídeos para celular sobre meio ambiente.
Prazo de inscrição: até 25 de outubro
Informações: www.my20sec.org

•    Prêmio Pesquisador 2010CCSP
O que é: seleção e até 5 projetos de pesquisa que deverão ser desenvolvidos em até dez meses. Serão apreciados projetos nas linhas interdisciplinaridade, acessibilidade e acervo. Os projetos deverão ter como base de referência o Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo – CCSP.
Prazo de inscrição: até 22 de outubro
Informações: www.centrocultural.sp.gov.br

Priscila Fernandes / blog Acesso

Folha de S. Paulo – Marcelo Ferraz

O surgimento de inúmeros novos museus sobre os mais variados temas e aspectos da vida humana jogam luz sobre a própria ideia de museu. Os museus vêm, há alguns anos, transformando-se, mudando seu papel na cena da complexa vida das cidades.

Em vez de depósitos privilegiados de valores artísticos ou históricos do passado, assumem novos programas, funções e usos diferenciados.

Fluxos cada vez maiores de pessoas se deslocam pelo mundo em busca do que é novo e desconhecido, e os museus são alvos privilegiados nessa busca.

Vivemos hoje numa encruzilhada: por um lado, é cada vez menor a possibilidade de se constituirem importantes acervos artísticos, históricos ou documentais pela falta de oferta ou pelo alto valor a se despender para a obtenção de algo significativo -boas peças- na formação de uma coleção com nexo e conteúdo; por outro, a demanda de acesso democrático aos museus aumenta, seja pela implementação de programas escolares de visitação, seja pela necessária abertura de suas portas à entrada de gente que nunca havia botado os pés nesses espaços de ares restritivos e inibidores, espaços para poucos iniciados.

Os museus são hoje parte indissociável das cidades modernas e estão integrados à vida cotidiana. Espaços de reflexão e convivência por excelência, os novos museus se guiam cada vez mais pelo olhar antropológico, ferramenta de grande utilidade nos dias de hoje, em que os conflitos dos encontros são a marca da época, e as cidades, o palco principal.

Assim, ou os museus se transformam para falar a nova língua da "urbis", para refletir sobre o que se passa na vida do cidadão a partir de seus acervos, ou estarão fadados ao fracasso e ao isolamento. E, hoje, terminam por responder também por importante fatia do turismo sadio, não predador, o chamado turismo cultural.

Está claro que, em tempos de comunicação rápida, o desafio aos criadores e gestores de museus redobra. É preciso encontrar novos meios, novas linguagens para os tempos atuais. E para isso não há regras, cada caso é um caso, cada tema ou assunto demanda soluções próprias de comunicação. Deveríamos tomar, quem sabe, algumas lições do cinema, que conta velhas histórias sem se esgotar.

Os museus também contam histórias, múltiplas, cruzadas, entrecruzadas. E estão à procura de uma gramática própria em sua conversa com a sociedade -que deve ser cada vez mais abrangente e democrática.

Assim, novos experimentos aparecem e nos instigam a criar e a avançar mais -e não importa se com "high-tech" ou "low-tech"; a questão é como contar boas histórias diferentemente dos livros, dos filmes, das escolas e das igrejas. É provocar estímulos, fazer com que cada pessoa, após uma visita, saia com novas dúvidas, muitas questões e perguntas.

Museu como instrumento de humanização, expansão das fronteiras do conhecimento e da poesia, um alimento do espírito; partindo do lugar -socioambiental ou físico e humano, mas sempre com uma linguagem universal e contemporânea. A comunicação é e continua sendo a chave do sucesso da conversa que se quer travar.

Um museu deve ser ponto de honra e orgulho para qualquer comunidade ou cultura que venha a representar. Deve também ser um grande atrativo para os forasteiros, que se deslocam para ver algo original, com força e caráter próprios. Assim, a força motriz de um museu bem idealizado e inteligente movimenta a economia local e coloca cidades no mapa cultural.

Hoje, o cidadão que viaja quer uma experiência arquitetônica, antropológica, sensitiva e intelectual diferenciada; uma experiência nova, e não simulacros disfarçados em museus.
Nossos novos museus devem responder às novas demandas da vida, lugares de encontros cada vez mais inusitados e originais. Podem ser instrumentos transformadores da vida nas comunidades, instrumentos eficazes de atração de novos negócios e desenvolvimento econômico e social, dentro de uma lógica que deve partir do lugar e da convivência humana.

MARCELO FERRAZ é arquiteto, sócio do escritório Brasil Arquitetura e integra o conselho do Instituto Brasileiro de Museus.

Revista Musas nº 2
A Revista Musas n° 02 apresenta artigos de 26 autores, que tratam do turismo, do lazer e do prazer nos museus; das relações sociais e de gênero nas instituições museológicas; das ações afirmativas de caráter museológico num museu universitário; das ações educativas e das pesquisas de públicos; dos projetos de acessibilidade e de inclusão social; das políticas públicas de cultura e dos sistemas de museus, entre outros temas. Como novidade, traz um sugestivo ensaio fotográfico sobre o público jovem em museus e um poema sobre museu. Na seção Museu Visitado, a Revista apresenta um registro sobre o Museu Paraense Emílio Goeldi, instituição centenária situada em Belém do Pará.

Valor: R$ 20,00. Interessados devem entrar em contato com Maximiliano, pelo e-mail maximiliano.pgc@iphan.gov.br ou pelo telefone (21) 2220-8485.

 
Revista Musas nº 3
Produzida pelo Demu/Iphan, a terceira publicação da revista Musas – Revista brasileira de Museus e Museologia destaca o direito à memória, ao patrimônio e aos museus como direito de todos. A edição conta com um conjunto de artigos sobre questões pertinentes ao mundo da arte, com a participação de 29 autores. A começar com um artigo de Emerson Dionísio de Oliveria, que põe em discussão o modo como os arte-educadores lêem as produções coletivas da arte contemporânea. Também estão presentes produções sobre museu e o público jovem; museus no ciberespaço; o lugar da infância nos museus; reflexão sobre o conceito de público nos museus locais, entre outros temas. Traz à seção Museu Visitado a experiência de museu comunitário de grande sucesso: o Museu da Maré, no Rio de Janeiro. Na seção Muselânea, o leitor encontrará resenhas, ensaios e notícias, notas, crítica de exposição, contos e reflexões sobre ao vasto mundo dos museus.

Valor: R$ 30,00. Interessados devem entrar em contato com Maximiliano, pelo e-mail maximiliano.pgc@iphan.gov.br ou pelo telefone (21) 2220-8485, ou com o Setor de Publicações do Iphan, pelo e-mail publicacoes@iphan.gov.br e telefone (61) 3414-6101.

 
Revista do Patrimônio nº 31
A Revista do Patrimônio nº 31, com o título Museus – Antropofagia da Memória e do Patrimônio, traz artigos inéditos sobre a transformação das linguagens museográficas, a musealização de sítios arqueológicos, o papel social dos museus, sua dimensão enquanto espaços de representação social, além de questões de gestão e o desenvolvimento de ações educativas. Completam a edição documentos e ensaios de atuantes e pensadores da área, como os Andrades – Rodrigo Melo Franco, Mario e Oswald -, Lygia Martins Costa, Paul Valéry, Theodor W. Adorno e Walter Benjamin, oferecendo uma densa e poética interpretação acerca da natureza simbólica do espaço museológico.

Valor: R$ 40,00. Interessados devem entrar em contato com o Setor de Publicações do Iphan, pelo e-mail publicacoes@iphan.gov.br e telefone (61) 3414-6101.

 
1º Boletim do Observatório de Museus
O Observatório de Museus e Centros Culturais – OMCC é um projeto elaborado em parceria entre o Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan e a Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz. O OMCC é um programa de pesquisa e serviços sobre museus e instituições afins. Este programa propõe a criação de um sistema, em rede, de produção, reunião e compartilhamento de dados e conhecimentos diversos sobre museus em sua relação com a sociedade. O 1º Boletim do OMCC apresenta os principais resultados obtidos na pesquisa perfil-opinião, realizada junto a 11 museus do Rio de Janeiro. O resultado desse projeto-piloto é fundamental para professores, pesquisadores, estudantes e gestores culturais que atuam no campo dos museus e da museologia, bem como no trabalho com políticas públicas de cultura.

Disponível no portal do Sistema Brasileiro de Museus: www.museus.gov.br.

 

Citação Pesquisa fotografica de Eridiane Lopes:

http://www.flickr.com/photos/9730046@N07/

 

Fonte: Eridiane Lopes   

 http://www.flickr.com/photos/9730046@N07/sets/