19 NOVEMBRO 2007

Sobre massagem

http://orgonio.blogspot.com/2007/11/sobre-massagem_19.html

Massagem é bom, todo mundo gosta e precisa! Escrevi um pequeno artigo sobre o assunto, e gostaria de compartilhá-lo com meus amigos psicoterapeutas, massagistas e fisioterapeutas, e também com aqueles que não trabalham com isso, mas se interessam de alguma forma. Incentivo a todos que façam e recebam massagem sempre, afinal é simples, intuitivo e o toque é a linguagem que todos nascem sabendo!

Massagem Viva

Independentemente de se conhecer ou não alguma técnica de massagem, existem algumas atitudes que considero fundamentais para intensificar ou facilitar os efeitos das sequencias e manobras terapêuticas. Pequenas dicas, aprendidas com professores, e outras coletadas em alguns anos de experiência com a prática da massagem que gostaria de compartilhar com meus colegas terapeutas e massagistas profissionais ou amadores.

A boa massagem não deve ser uma receita pronta, uma sequencia fechada, pré-determinada, desempenhada igualmente em todos os pacientes / corpos. Não deve ser automatizada, pois cada corpo tem suas necessidades, suas marcas e vive um momento diferente dentro de sua própria história. Por isso a massagem é arte que envolve criatividade, consciência, intuição e sensibilidade de quem está praticando, e da mesma forma, ajuda o paciente a desenvolver as mesmas qualidades em si mesmo.

É claramente importante que o terapeuta dedique-se a aprender determinada técnica, dentre muitas possibilidades, a qual ele mais se identifica, pois funcionam como base, ponto de partida quando ainda não se tem muito claro o que fazer com o paciente. Da mesma forma, o conhecimento básico da anatomia e fisiologia humana é de grande valia, pois nos dá a segurança de saber onde estamos tocando, facilitando a visualização das estruturas anatômicas enquanto as massageamos e a diferenciação entre tendões, nervos, ossos, músculos, derme e epiderme.

Para realizar a massagem viva, a condição básica é que o próprio terapeuta esteja vivo, no sentido mais sutil do termo, obviamente. Um bom terapeuta deve investir no seu auto aperefeiçoamento, e não digo técnico apenas, mas principalmente emocional e psíquico. Trabalhar-se para adquirir conhecimento de si mesmo, das suas potencilalidades e limitações do próprio corpo, da sua forma, e como a usa na vida. Psicoterapia, exercícios físicos e claro, receber massagens frequentemente. Receber o mesmo tratamento que propõe aos outros é fundamental! Nenhuma informação intelectual se compara a sentir e vivenciar no próprio corpo para poder aprender, ensinar e entender o que o outro sente. Além de ser muito importante como prevenção, e manutenção da saúde do terapeuta, já que é um trabalho que exige física e emocionalmente de quem o faz, e pode ser extremamente desgastante se o terapeuta não souber se reenergizar.

Trabalhando!

Gosto de me fazer algumas perguntas enquanto trabalho. Elas me orientam e dão a direção e medida do trabalho a ser feito. Quando o paciente se deita, observo o conjunto, todo o corpo, sem intenções pré-determinadas.

E me pergunto: O que eu vejo? O que mais me chama a atenção hoje?

Uma abordagem visual no início, pode me mostrar por onde começar. Um abdomen muito contraído, paralizado, com pouca pulsação. Um braço “desconectado” do tronco, pouco tonificado em relação ao resto, de coloração diferente. Um joelho que não encosta na maca, que não estica totalmente, não relaxa, não se entrega a gravidade. Ou seja, o que está destoando ou não está em harmonia com o resto do conjunto? É por lá que eu posso começar.

Outra valiosa pergunta é: Diante disto que vejo, o que me dá vontade de fazer?

Isto é MUITO importante, ouvir e acreditar no que dá vontade de fazer, sem julgamentos, sem críticas, apenas ouça a sua resposta e respeite a sua intuição. No mesmo corpo posso ter uma área de contração muscular e fechamento do espaço articular, causando estagnação da circulação energética, e outras áreas de “hipotonia”, moles, frias, com pouca forma e também desenergizadas. Por isso, nem sempre posso realizar as mesmas manobras, com as mesmas intenções em todo corpo.
Há infinitas possibilidades: amassar, deslizar, torcer, pressionar, vibrar, sacudir, segurar, apertar, acolher, descolar (a pele), alongar, encurtar, tracionar/puxar, movimentar passivamente, percurtir, comprimir, friccionar. Tudo isso aplicado com diferentes intensidades: profunda, superficial ou mesmo fora do corpo físico (aura). Em diferentes direções e sentidos: em movimentos de espiral, círculos, “oitos”, “abrindo” ou afastando do centro, ou “fechando” ou aproximando do centro. Sempre levando em conta o que faz sentido para você naquele determinado momento. Por último gostaria de frisar a importância de uma não-manobra: a espera. É fundamental esperar a resposta do corpo a um determinado estímulo, mantendo-o suave e continuamente, até que a curva* se complete.
Exemplificando, posso pressionar e chacoalhar uma área hipertônica, com a intenção de soltar, dissolver a tensão, abrir espaço. E posso também segurar, dar contorno, fazer “sanduíche” ( simplesmente fazer contato com as mãos) em uma área de pouco tônus muscular para acordar, dar forma e trazer pulsação àquela região. A intenção que se põe no trabalho facilita a manobra, visualize a região trabalhada recebendo e transformando-se de acordo com o que você propõe. E espere a resposta do corpo. Às vezes, durante o trabalho, sou surpreendida por imagens. Certa vez, trabalhando na coluna de um paciente, “vi” flores saíndo daquele lugar, e sua respiração se amplificou em seguida. Outras vezes, vi água escorrendo, como se tivessem aberto uma represa. Inclusive cheiros aparecem durante a massagem, trabalhando com um paciente muito rígido, certa vez senti cheiro de coisas velhas, guardadas, mofadas invadindo a sala.

As respostas do corpo.
O que aconteceu?
É muito gratificante quando um paciente aceita submeter-se a um tratamento contínuo de massagem, ao invés de aparecer só nas “emergências”. No primeiro caso o terapeuta tem o privilégio de acompanhar as grandes transformações físicas e emocionais decorrentes do trabalho. Mudanças na postura corporal, no tônus muscular, mobilidade articular, circulação sangüínea e linfática, melhor funcionamento dos orgãos internos, bem como reorganização rítmica, conscientização dos mecanismos de tensão e de defesa, aumento da vitalidade e sensação de paz, e maior estabilidade emocional são respostas comuns a longo prazo. Mas também, é importante apreciar as respostas imediatas, de curto prazo que o corpo revela; estes sinais também nos orientam a respeito do que está dando certo, ou não. As respostas podem ser de descarga, ou de harmonização. Envolvem aquecimento da região, restabelecimento e equilíbrio da pulsação, bocejos, suspiros, mudança na coloração da pele e tônus muscular, estalos e até mesmo tremores e espasmos musculares. O aumento da atividade peristáltica do intestino é uma manifestação muito bem vinda e desejada, pois denota a dissolução das tensões sendo “digeridas” no aparelho digestivo. Qualquer sinal de dor, ou desconforto deve ser incluído e respeitado, pois o estímulo excessivo não pode ser aproveitado pelo corpo, pode sim, ao contrário bloqueá-lo ainda mais.

O que eu sinto?
Ficar atento às reações do seu próprio corpo enquanto terapeuta, é uma das mais preciosas ferramentas durante qualquer terapia. A sua sensação diz muito a respeito do que está acontecendo durante o processo, nunca deve ser negligenciada, e sim incluída durante todo o atendimento: do momento em que o paciente chega até o momento da sua saída. Às vezes, o paciente não apresenta nenhuma reação concreta, mas eu começo a bocejar, lacrimejar, pigarrear, ou sinto na minha barriga o peristaltismo se abrindo, acompanhado de sensações prazerosas de relaxamento e amplitude da respiração, sinais claros de que o trabalho está indo bem.
Nesta época em que vivemos, de franca expansão e assimilação dos conceitos da física quântica em várias áreas de interesse do ser humano, científicas, religiosas ou mesmo cotidianas, não podemos, nem precisamos mais negar ou esconder a interferência direta resultante dos pensamentos, ações e intenções que criamos, portanto todas as sensações do “aqui e agora” durante um atendimento terapêutico, seja de que espécie for, devem ser incluídas e valorizadas como ferramentas sérias e precisas!

Considerações finais

A massagem é um recurso terapêutico antiquíssimo, simples, natural e intuitivo. Torço e trabalho para que seja cada vez mais valorizada e respeitada no Ocidente, assim como é no Oriente, praticada com naturalidade e encarada como fonte de higiene mental e terapia preventiva.
A prática da massagem aproxima, sensibiliza e humaniza quem faz e quem recebe. O que o amor e uma boa massagem não podem curar, mais nada poderá !

* Refiro-me a teoria da curva orgástica descrita por W. Reich em 1940, no livro “A função do orgasmo”, onde um ciclo saudável se completa seguindo a função: tensão, carga, descarga, relaxamento.

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