Imagine. No interior do nordeste brasileiro, alunos de uma escola pública escrevem um livro sobre a pequena cidade onde vivem. Na Itália, um curso de idiomas utiliza esta mesma publicação para o ensino da língua portuguesa. Por conta própria, os estudantes europeus traduzem o livro para o italiano. Uma ação local que encontra um público específico no espaço global que recodifica e amplifica a ação original. Imaginou? Pois o melhor é que esta história não é fruto de imaginação. Estes trabalhos foram publicados na internet na forma de livros eletrônicos através do projeto “Faça um E-Book na Escola”, da editora gaúcha Plus. O projeto auxilia que conteúdos produzidos nas escolas, muitas vezes descartados ou esquecidos, sejam distribuídos e acessados de forma gratuita através da rede mundial de computadores. Da escola para o mundo Publicado no final de 2009, o livro “Juripiranga, Este é o Meu Lugar” foi fruto do contato da professora Jocileia Paiva Silva com a equipe da Plus. Entusiasmada com a possibilidade, a educadora estimulou os alunos a falarem sobre a economia, a cultura e o cotidiano desta cidade de 10 mil habitantes. Juripiranga fica a 70 km de João Pessoa, capital da Paraíba, nordeste brasileiro. Cerca de 15 estudantes, com idades entre 11 e 15 anos, tornaram-se verdadeiros repórteres e saíram a campo para captar material. Entrevistaram e fotografaram pais e familiares, produziram crônicas e textos sobre folclore, mostraram aspectos da economia da localidade, baseada na palha de carnaúba com a qual são produzidos artesanato e outros artigos como vassouras e chapéus. Assim, em um simples trabalho escolar, nasceu este e-book. A edição e a publicação do livro foram viabilizadas através do trabalho voluntário dos colaboradores da Editora Plus. O e-book dos alunos de Juripiranga foi baixado gratuitamente do site da Plus pelos empolgados estudantes do curso de português-brasileiro em San Benedetto del Tronto, cidade com 45 mil habitantes, localizada na região da Itália central. A tradução do livro chamou-se “Juripiranga – Questo è il mio Posto”. O historiador Eduardo Melo, atual coordenador da Plus, explica como funciona o “Faça um E-Book na Escola”: “o projeto é simples. A Plus não tem dinheiro para ir em cada escola aplicar o projeto. A iniciativa é do professor, em sala de aula, lançar uma tarefa, fazer um texto, uma crônica, fazer uma saída de campo. O que é produzido é empacotado e enviado para a Plus. A editora avalia, dá sugestões e altera algumas coisas. A equipe de voluntários faz a revisão, a capa e a edição. Publica em vários formatos e, então, o e-book é colocado no ar”. Mas esta ação junto às escolas é somente um dos projetos da Plus, uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que tem o objetivo ambicioso de “derrubar as barreiras que separam as pessoas do conhecimento”, segundo propaga o site da editora. O trabalho também inclui reportagens, coletâneas, textos acadêmicos, autores independentes e clássicos da literatura. Projeto para o Livre Uso do Saber O projeto da editora Plus surgiu, em 2007, através da reunião de uma turma de profissionais recém-formados, classe média, na faixa dos vinte e poucos anos, interessada em publicar livros: dois bacharéis em letras, dois jornalistas e um historiador. O grupo acreditava que muitos livros bons não saíam da gaveta. Mas havia a questão: como publicar estes trabalhos? O custo de impressão era alto. Alguns livros surtiam interesse em grupos restritos. As editoras não abriam portas. Imprimir, mesmo em quantidades pequenas, envolvia lidar com estoque, distribuição, divulgação. Então, como fariam? Na mesma época, os primeiros leitores de e-books começavam a surgir no mercado. A multinacional japonesa Sony lançou o seu Reader. Nos Estados Unidos, a Amazon.com, famosa loja de comércio eletrônico, contra-atacou com o Kindle. No meio desta efervescência, o grupo decidiu que iria distribuir as obras de graça em meio eletrônico e optaram, neste primeiro momento, pelo formato PDF (Portable Document Format, desenvolvido pela norte-americana Adobe System, em 1993). Daí veio o nome Plus, ou seja, “Projeto para o Livre Uso do Saber”, editora que iria traduzir e publicar e-books de diferentes gêneros. No segundo semestre de 2008, a editora foi lançada com um catálogo de sete livros na Feira do Livro de Porto Alegre. Em dezembro do mesmo ano, a Plus assumiu um pioneirismo e foi a primeira editora a publicar e-books para serem lidos em aparelhos celulares no Brasil. Inicialmente, a equipe utilizou o formato Mobi, que poderia ser lido no Symbian, sistema operacional instalado nos celulares da Nokia. Dois anos depois, a editora já lançou mais de 40 e-books, a maioria, em ePub, formato que aos poucos se impõe como padrão de publicação de livros eletrônicos no mundo. Em pequena escala, e no seu próprio ritmo, a Plus está cumprindo o objetivo a que se propôs. Outsiders, nerds e idealistas Do grupo multidisciplinar original, em 2010, a gestão da Plus passou para o historiador Eduardo Melo, 29 anos, que conta com colaboradores de várias partes do Brasil e do mundo e com o auxílio especial da esposa, Juliane Dorneles, professora de inglês. Ela é, inclusive, autora de um dos primeiros e-books da editora, “Each Person, a New Story”, escrito em inglês. Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS), Melo é um cara com convicções fortes, conectado, aficionado em tecnologia, fã de filmes e livros de ficção científica. E é um cara realmente apaixonado pelo projeto que conduz a partir do espaço exíguo do “quartinho de empregada” – em um apartamento no segundo andar de um edifício antigo, no centro de Porto Alegre – transformado em escritório da Plus, onde ficam uma cadeira, o computador, dois monitores, um quadro branco, algumas pastas de arquivos e parcos livros impressos – na maioria, técnicos e de informática -, dos quais se destaca uma coleção pocket de “Dilbert”, de Scott Adams. Ele considera a editora uma iniciativa outsider e underground. Segundo afirma: “o espírito da Plus é não ter dinheiro. (…) A gente mexe com dinheiro (…) a coisa pende pro lado A, pende pro lado B. (…) Quanto menos dinheiro entra na Plus, melhor. Essa é nossa filosofia. Na medida do possível, sem dinheiro de empresa, sem dinheiro de governo. Incentivo à cultura, a gente nunca usou”. Melo é, realmente, receoso sobre o patrocínio de empresas, mas não descarta a possibilidade de a Plus acatar o financiamento para um número definido de e-books feitos na escola ou, até mesmo, para a internacionalização da ideia da editora. “Mas (a empresa) precisará fazer isso sem nutrir expectativas de lucro com o conteúdo. Toda a lógica da Plus reside neste ponto: permitir a criação e a divulgação de conhecimento e cultura livres que são, na prática, marginais ao sistema, essencialmente não comerciais: um livro de poesias, um estudo de comunicação, as crônicas das crianças de uma 4ª série”, enfatiza o editor. No entanto, vale citar que o projeto “Faça E-book nas Escolas” surgiu através de uma provocação da Rede Vivo Educação, ligada à empresa de telefonia móvel, que convidou Melo para participar de uma conferência sobre redes sociais e novas formas de educação. Por esta colaboração, a Plus ganhou um iPhone 3G que, conforme Eduardo, “foi [uma ferramenta] fundamental para publicarmos e testarmos a qualidade dos livros publicados posteriormente”. Segundo o editor, a Rede Vivo Educação também auxiliou para que pessoas de diversos estados, como São Paulo, Paraíba e o próprio Rio Grande do Sul, conhecessem os projetos da editora. Então, como a Plus se sustenta? Eduardo também é bancário. A estrutura do escritório – computadores, luz, internet – é coberta por ele próprio. Uma conta que, afirma, “teria de qualquer maneira (por gostar de informática)” e que “paga sem problemas”. Outros custos da editora são ínfimos: “15 reais de hospedagem por mês em um servidor no exterior, (…) na hora da publicação, 12 reais do ISBN para a Biblioteca Nacional (…) mais a troca de correspondência para fazer um contrato com o autor (…) algum material impresso para divulgar um trabalho, por exemplo, em uma Feira do Livro. O custo é quase zero”, revela. Em alguns casos, surgem doações e contribuições espontâneas dos autores publicados. Mas o mistério prossegue: como são geridos os projetos? A Plus se baseia no trabalho voluntário e colaborativo. Capa, revisão, edição, tradução. Ninguém ganha dinheiro. Todas as ações são voluntárias e articuladas em rede. “Uma pessoa sugere a tradução de um livro norte-americano”, explica Melo, “e a gente monta uma ação colaborativa para fazer isso. (…) Se a ideia crescer, ótimo. Tudo meio descentralizado”. Uma colaboração surgiu através de um papo de Eduardo com a tradutora Ana Carolina Konecsni, natural de Esteio (RS) e radicada em São Paulo. Depois de uma conversa informal, foi criado dentro do site da Plus o blog Tradução+ para tratar do tema. Outro projeto importante da Plus é a edição em e-books de obras em domínio público, com diagramação e acabamento caprichados. A editora apostou em clássicos da literatura brasileira de autores como, por exemplo, José de Alencar – “O Guarani”, “Iracema” e “Viuvinha” – e Machado de Assis – “Dom Casmurro”, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba” e “Helena”, um dos e-books baixados com maior frequência. A coleção foi idealizada pelo diagramador José Fernando Tavares, brasileiro radicado na Itália. O trabalho funcionou tão bem que a Positivo Informática, quando lançou o Alfa, o primeiro leitor de e-books nacional, na Bienal do Livro de São Paulo deste ano, utilizou estas edições na demonstração do equipamento. “O que mais tem valor é o trabalho voluntário. Aquela pessoa que quer coordenar uma tarefa. É o que a Plus mais precisa”, enfatiza Melo. A maior parte das colaborações vem de São Paulo, do Paraná e do Rio Grande do Sul. Obras gratuitas e sem exclusividade Para publicar um e-book, a editora Plus exige que o autor libere a obra para distribuição gratuita e sem fins lucrativos. Mas não há exclusividade. Esta prática de contrato acarreta, às vezes, estranhamento com o mercado editorial tradicional. “Já tivemos autores que pediram para tirarmos do ar a versão e-book para viabilizar a publicação do livro em versão impressa. As editoras não concordavam em ‘competir’ com uma versão grátis do mesmo livro na rede”, comenta Eduardo. A tarefa de lidar com direitos autorais criou a obrigatoriedade da formalização da editora Plus em uma ONG. “Ao lidar com conteúdos e propriedades intelectuais de terceiros, a segurança jurídica é indispensável para todos”, diz Melo. Alternativa para a produção independente O mundo dos livros eletrônicos é um território novinho em folha. Muita gente está aproveitando a onda. Autores iniciantes, escritores, jornalistas, acadêmicos, artistas de diferentes linguagens e – como não poderia deixar de ser – aqueles mais acostumados ao habitat virtual: os blogueiros. A Plus lançou o livro da autora gaúcha Nancy Lix, “Lua em Refração”, com poesias escolhidas do blog homônimo. Um dos maiores sucessos da editora é “Como Piratearam Minha Vida”, livro de contos do jornalista paranaense Alessandro Martins, que escreve no blog Livros e Afins. No primeiro dia de lançamento, o e-book obteve 700 downloads. “Ele é blogueiro, tem uma rede imensa (…) e, nos últimos cinco anos, se dedica exclusivamente à atividade na internet”, diz Melo, “e o livro tem uma linguagem divertida, com pitadas eróticas”. Alessandro Martins, que vive profissionalmente da blogosfera, acredita no potencial dos livros eletrônicos. “A publicação digital e gratuita tem muitas vantagens para o escritor iniciante e para os mais experientes também. Os custos de distribuição e impressão caem à zero. Um potencial leitor chega muito mais facilmente ao seu trabalho, via mecanismos de busca, por exemplo”, diz o jornalista. O blogueiro ficou satisfeito com o lançamento do e-book “Como Piratearam Minha Vida” através da editora Plus: “Gostei da experiência. Muitas pessoas que ainda não tinham lido os meus textos no (blog) Cracatoa Simplesmente Sumiu acabaram conhecendo através deste livro. (…) Ter o reconhecimento de uma editora é sempre bom”. Conquistando audiência O site da Editora Plus conta com cerca de 25 mil visitantes que fazem 1300 downloads dos e-books a cada mês; destes, 500 são livros de domínio público (clássicos da literatura nacional, por exemplo) e outros são 800 livros com licença creative commons, uma alternativa de direito autoral que permite ao artista flexibilizar o uso, a comercialização e a distribuição de suas obras. Melo explica que o público da editora tem várias camadas: “Primeiro, é quem navega na internet e lê no computador. A segunda camada é formada por público mais jovem, universitário e estudantil, e, por consequência, os pais e familiares destas crianças que publicam seus e-books pela Plus. Acima de 35 anos, o público é escasso”. Professores, acadêmicos, pesquisadores, escritores e artistas de toda a estirpe engrossam o caldo. O site agrega ainda notícias sobre o mercado de e-books, um conteúdo importante para alavancar sua audiência. “Notícias sobre e-books dão audiência. É novidade pra muita gente. As pessoas querem participar disso, querem consumir isso. Os jornalistas brasileiros já estão percebendo isso”, reflete Eduardo Melo. “O livro é uma coisa fascinante. Se mescla o livro, uma ideia antiga, com a tecnologia, casa a fome com a vontade de comer”. A editora Plus faz uso limitado das redes sociais, muito disso, pela necessidade de trabalho voluntário. Conforme Melo: “Twitter é mais fácil e natural a disseminação (de informação). Facebook é mais complicado, demanda mais tempo e dedicação pra construir uma rede. Mídia social demanda tempo”. A guerra tecnológica A tecnologia tem um papel central. É o produto e o meio no projeto da editora Plus. Contudo, Melo relativiza esta situação: “a tecnologia é o aparato. Mas não é tudo. Os valores também são importantes. Como a gente vai abordar a tecnologia são os valores. (…) Um exemplo: poderia fazer e-books fechados, vender caro e não me importar se os leitores tiverem dificuldade em ler aquilo”. O comentário de Eduardo Melo trata sobre a guerra dos formatos e dos aparatos de leitura dos e-books. O ePub é o formato padrão atual dos livros eletrônicos, mantido por um consórcio de empresas – a IDPF (International Digital Publishing Forum) – que deseja que um mesmo arquivo seja lido em diferentes interfaces ou leitores de e-books: no Sony Reader, no iPhone, no iPad, no Alfa, no Nook. O ePub é uma tentativa de unificar os esforços de muitas empresas. No início dos anos 2000, por exemplo, havia uma série de formatos diferentes: o Palm, o Mobi (tecnologia francesa comprada pela Amazon.com, em 2005), o Lit (Microsoft), BBeB (Sony), entre outros. “O formato ePub é HTML e XML (linguagens utilizadas nas páginas da internet). Sendo XML significa que, daqui a cinco ou dez anos, este conteúdo pode ser fragmentado, classificado semanticamente e transformado em uma série de outros conteúdos quando tiver uma tecnologia disponível. (…) Quem apostar em formatos abertos ou em padrões que já são reconhecidos internacionalmente, aposta na direção correta. Quem fechar o conteúdo, morre”, opina Melo. No entanto, o que ocorre, por conta da pirataria e da busca de um caminho comercial, é que empresas e editoras inserem nos e-books códigos e proteções contra cópias (chamados DRMs, “Digital Rights Management”, em tradução literal, “gerenciadores de direitos digitais”) ou investem em formatos proprietários. Estratégias que geram situações contraditórias e paradoxais. “No Kindle, por exemplo, não é possível ler os e-books em formato ePub porque a Amazon tem um formato proprietário. A Apple, quando vende os livros com proteção contra pirataria, usa um DRM proprietário. O livro que for comprado para ser lido no iPad ou no iPhone não poderá ser lido no computador, nem vai poder ser lido no Kindle. E vice-versa. Quando o leitor se der conta, ele estará preso para fruir da obra que comprou”, explica Eduardo. Melo aposta na universalização do formato ePuB: “Com a chegada de sistemas operacionais como o iOS e o Android, o ePub está sendo largamente usado internacionalmente na maioria dos dispositivos e aplicativos. Apple, Google, Barnes & Noble, Sony adotaram o ePub. No Brasil, todas as livrarias que vendem e-books também adotam o formato”, afirma. O editor não considera o acesso à tecnologia um impeditivo para o avanço dos e-books e sugere formas de universalizar a leitura: “as pessoas acham que só podem ler e-books no iPad ou no Kindle (…) Vendem essa ideia de usar uma tecnologia, mas é possível ler onde elas quiserem. (…) Num celular, num telão, no computador. Pode ser um audiobook. Tem várias maneiras de ler”. A Simplíssimo A partir da experiência da Plus, Eduardo Melo e um sócio italiano abriram, em março de 2010, a Simplíssimo, uma empresa comercial para venda de e-books. O novo projeto serve de plataforma de lançamento e distribuição dos conteúdos da Editora Plus que foram agregados ao novo site, mas prosseguem sendo baixados livremente. Além disso, Melo realiza trabalhos de publicação de e-books para diversas editoras nacionais, como é o caso de “O Livrão e o Jornalzinho”, livro infanto-juvenil de Rafael Guimaraens e Ricardo Machado, lançado pela Libretos. A Simplíssimo distribui os livros eletrônicos em diversas lojas online – livrarias Curitiba, Traça, Grioti e outras – e utiliza como proteção do conteúdo a “Marca d´Água Digital”, um código que identifica o comprador original do e-book. É uma forma de inibir este leitor a copiar o arquivo digital para outras pessoas. No caso da Simplíssimo, também não há exclusividade sobre a obra, e o autor recebe 60 por cento do valor da venda do livro digital. No entanto, Eduardo Melo faz uma constatação curiosa. Ele afirma que a principal motivação dos autores que o procuram – tanto na Plus quanto na Simplíssimo – não é a remuneração imediata, mas a divulgação de seus trabalhos. “O objetivo principal destes autores é ter os livros digitais nas prateleiras da web, comentar com seu círculo de amigos e conhecidos nas redes sociais. (…) Poucos têm a pretensão de ser um Paulo Coelho ou um Chico Buarque e sabem que é preciso muito mais do que talento e um bom texto para conseguir os holofotes da mídia. O autor independente decidiu comer pelas beiradas. E o mundo digital é excelente para isso”, assegura Melo. Daqui por diante Desde 2010, a editora Plus traça a perspectiva de implementar o projeto “Faça o E-book nas Escolas” no Uruguai. A ação ainda não ocorreu por conta de um desencontro com o calendário escolar do país vizinho. Eduardo Melo promete nova tentativa para 2011, enquanto deseja ver a ideia expandida para a América Latina. “Depende de tempo e depende de braço”, confabula. É este projeto nas escolas que, realmente, faz brilhar o olhar do jovem historiador/editor. Melo, infelizmente, não vê perspectiva de a iniciativa vingar de forma satisfatória em curto prazo. O que não o impede de sonhar: “Fazer com que as escolas se deem conta que o que os estudantes produzem em sala de aula é muito importante. Estimular este tipo de produção (…) que saia de dentro da escola e ganhe campo. (…) Mostrar para um estudante com 8, 11, 15 anos que o que ele faz é muito valioso”. E completa o editor: “O trabalho criativo, uma poesia, um desenho, uma fotografia. A arte e a cultura não são coisas estanques. Transmitem valores e nos fazem crescer, se todos tentarem um pouquinho”. Imaginou?

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