O Partido da Cultura e as Eleições 2010
Leonardo Barbosa | quinta-feira, 11 novembro 20102 Comentários
O PCULT – Partido da Cultura surgiu meses antes das eleições de 2010. Não que nunca houvesse manifestações, movimentos e artistas na discussão da política cultural. Houve e muitos. O que o PCULT tentou arregimentar foi um movimento suprapartidário que envolvesse o setor cultural no intuito de pautar deputad@s, senador@s, governador@s e president@s seu compromisso com o amadurecimento das políticas culturais no Brasil. A gestão Gil-Juca abriu portas para que novos atores do fazer cultural pudessem tomar partido; não no sentido formal da constituição partidária que se dá a política, mas no sentido do reconhecimento da Cultura como a maior bandeira nodesenvolvimento de um país e mundo mais igualitário e horizontal . Por uma política 2.0. Por uma política cultural que veja a cultura como elemento básico, estratégico e essencial da relação entre as pessoas, povos e comunidades.

A partir da constituição deste movimento vemos surgir nos estados seus diretórios, organizando sabatinas, encontros, debates, reflexões, propostas com @s candidat@s numa sucessão volumosa de acontecimentos que trouxeram à tona a organização do setor cultural. Em 15 de julho, a CUFA-MT (Central Única das Favelas) é o primeiro movimento a iniciar as declarações de apoio. No dia 20 de julho, o PCULT-DF se reúne discutindo apoio a candidaturas e mapeamento de agentes culturais. Aos poucos vemos a mídia tradicional, jornais e revistas, entendendo a movimentação e importância do PCULT e dando o espaço que o movimento já vinha conquistando no youtube, no twitter e no seu blog.

Ponto importante de intersecção de ideias foi durante o Fórum dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, realizado em Rio Branco (AC), declarando apoio ao movimento e fortalecendo a relação com os gestores. Ao mesmo tempo, o movimento surge como um espaço vivo de organização política dos artistas em alguns Estados. Em 20 de julho, o PCULT-GO se reúne pra discutir o Centro Cultura Oscar Niemeyer, construção inacabada.

24 de julho, em São Paulo, o candidato a governador da oposição faz uma reunião aberta com o setor cultural, criando um plano de governo para o setor colaborativo. O PCULT-AM, no dia 30, começa a criar sua agenda com um texto de mobilização para o setor no Estado. Mais Estados se organizam: Amapá, Roraima, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará. Por mais que nos debates à presidência a Cultura nunca é posta, as bancadas começam a proliferar.

O Rio de Janeiro traça um interessante painel, sentando à mesa para discutir política cultural com partidos tão diversos como PSDB, PT e PSOL. A coerência do movimento suprapartidário é posta à prova. O PCULT não apoia nenhum candidato ao segundo turno; mesmo que movimentos participantes, em sua legitimidade, o façam, o Partido da Cultura é maior que partidos, nomes, correntes. É um movimento em busca da solidificação de uma Política de Estado.

E muito dessa movimentação se deu nas articulações virtuais que a lista de e-mails nacional do PCULT interligou. De manifestações lúdicas, poéticas a análises críticas. Os anos 60 encontraram os anos 2000 pra gozar de verdade e figuras como @laladeheinzelin, @PradoClaudio, @penas, @PabloCapile, @rodrigosavazoni trouxeram luz & suor à causa.

Através desses diálogos nota-se a autonomia da movimentação da classe artística brasileira, que teve um salto quantitativo e qualitativo gritantes nos últimos anos, principalmente no fortalecimento da cultura digital desses últimos 10 anos: a comunicabilidade entre os artistas, produtores e a cadeia produtiva de uma maneira geral trouxe uma outra forma de se pensar a cultura e a economia. A autogestão, a economia solidária, a cultura digital, a rede como principal meio de atuação e troca são as tônicas que contribuiriam para a construção do PCULT.

Chegando a ter a força simbólica do manifesto-movimento muito agregador da classe que foi o intitulado ‘1% para a cultura’, organizado por artistas e intelectuais e movimentos sociais-culturais, que, guiado por prerrogativas da UNESCO, lutava pela aplicação de 1% do orçamento direto no Ministério da Cultura.

Essa “autogestionabilidade”, unida ao aumento do poder de comunicação entre a classe artística/cultural potencializa essa autonomia, uma vez que o fazer cultural não está refém nem do poder público, nem da iniciativa privada. Dessa maneira consegue dialogar com candidatos e membros atuais do poder público de maneira organizada e sistêmica, esclarecendo o quanto a cultura gera para a economia através da indústria criativa, além de aumento do capital simbólico em relação à conscientização social e arte.

A movimentação da cadeia produtiva somada à agitação cultural gerou um considerável chamariz para entidades participativas, ao mesmo tempo em que gera a auto-sustentabilidade do processo cultural, o que garante a autonomia. Outra consequência desse levante é o aumento da conscientização e mobilização da classe artística como um todo, muitos conquistados por essa autonomia que virou a mesa e redefiniu o processo cultural no Brasil. Conscientização não apenas da sua função política mas de todo o processo como um todo. A cultura é para a sociedade doconhecimento o que foi o aço para a revolução industrial .

Por isso foi um marco simbólico para o movimento a realização da pesquisa ‘Investimento dos Governos Estaduais edo Distrito Federal na Atividade Cultural’ . Primeira de inúmeras pesquisas necessárias à compreensão do investimento feito no setor, o PCULT fez um estudo comparativo dos orçamentos do órgão em cada Estado, indicando, assim, a distorção de prerrogativas naturalizadas tais como o Sudeste investe mais no setor.

Comparativamente a seus orçamentos gerais, Estados como o Amazonas, o Pará, a Bahia, Pernambuco, Acre, Maranhão investem mais do que São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo. Se lutamos para que todo o Brasil entre no Sistema Nacional de Cultura e que todo Estado invista 1,5% na Cultura, esta essencial pesquisa nos mostra que estamos ainda muito longe desta dotação.

Ao final das eleições vemos que o importante sentimento de potência de que a transformação pela cultura através da política é possível. A potência de um novo espaço-tempo de mudança geracional digital.

De poesias a cartas-propostas dos estados a vídeos de personalidades militantes do cenário cultural, buscou-se levantar a pauta da cultura como setor estratégico de um mundo e uma política na qual a cultura fosse vista transversalmente em todos seus aspectos do desenvolvimento humano.

(mais louco é quem me diz!!!!)

Um movimento que incindiu com a intenção de pautar as eleições, torna-se agora o fiscalizador, o proponente, o idealizador de uma nova política. A necessidade de institucionalização definitiva: políticas públicas!

Estamos tod@s junt@s escrevemos nosso manifesto Pau-Brasil da política.

Fazendo do viver trincheiras. Marcharemos Virtualmente

O Partido da Cultura agora inicia seus trabalhos.

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