Durante todo o mês de maio, ocorre em São Paulo a quinta edição do Antídoto – Mostra Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito, uma parceria entre o Itaú Cultural e o Grupo Cultural AfroReggae para debater o poder transformador de projetos culturais diante dos diversos tipos de violência – social, étnica ou religiosa.

Participam desta edição músicos, artistas, líderes sociais, intelectuais, jornalistas, escritores e pensadores de comunidades brasileiras e internacionais que virão de países como Guiné Bissau, Moçambique, Paquistão, República Democrática do Congo, Zâmbia, Índia, Irã, Serra Leoa, Galícia, México, Grã Bretanha e Estados Unidos. A proposta do encontro é fomentar a reflexão e compartilhar experiências e alternativas para a produção cultural em áreas de conflitos sociais, religiosos, étnicos, e suas conseqüências na vida das comunidades e grupos sociais. Além dos debates, o mês é recheado de shows, lançamento de documentários e mostra de filmes, sempre relacionados com o tema.

A fim de democratizar o acesso à programação para aqueles que residem fora da cidade de São Paulo, as mesas do seminário, que acontecem entre 19 e 21 de maio, serão transmitidas ao vivo no site, em inglês e português, com espaço para perguntas e mensagens dos internautas.

Parceiro na coordenação da mostra Antídoto, o Grupo Cultural AfroReggae  é uma organização que luta pela transformação social por meio da cultura e da arte, explorando as potencialidades artísticas de jovens que vivem em comunidades de baixa renda, marcadas pela violência e pela criminalidade. O Grupo utiliza atividades artísticas, como percussão, circo, grafite, teatro e dança para tentar transformar a realidade desse público – estima-se que já tenham sido atendidas cerca de 2500 pessoas. Atualmente, o Grupo atua nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Complexo do Alemão, Cantagalo-Pavão-Pavãozinho e Comunidade do Jardim Nova Era (Nova Iguaçu).

Segundo o coordenador de Parcerias Governamentais do AfroReggae, Reginaldo Lima, a ideia de promover um encontro como o Antídoto surgiu da necessidade de ampliar o diálogo e de gerar um intercâmbio com pessoas e entidades que têm as mesmas preocupações. “Pelo mundo afora há muita gente que trabalha a questão da arte e da cultura como meio de inclusão social. Precisávamos saber o que estava acontecendo em outros cantos do mundo e descobrimos que existe uma aproximação de igualdade, uma empatia muito grande de missão”, diz. Trabalhar com cultura em áreas de conflito, para ele, é uma prática antiga, que sofreu uma série de modificações ao longo dos séculos, mas que mantém a essência: as emoções humanas. “Hoje. a cultura tem influência transformadora na sociedade. Em periferias do Brasil e do mundo, há mais incidência de conflitos do que de violência: o conflito humano, emocional, de cultura. E a cultura é importante para melhorar a vida do cidadão, seja na periferia, ou em qualquer outro lugar do mundo”, observa. Lima ressalta que o Antídoto é o cume da discussão que eles promovem cotidianamente nas comunidades em que atuam.

Com o que o gerente do Núcleo de Música do Itaú Cultural, Edson Natale, concorda. “A ideia de fazer o Antídoto surgiu quando  o AfroReggae passou por uma situação complicada de mediação de conflito entre as comunidades Parada de Lucas e Vigário Geral. Conversando, pensamos: Como será nos outros países? Como no Afeganistão, por exemplo, se lida com essa situação?”, relembra. Natale afirma que, desde a primeira edição, o Antídoto manteve sua essência, com pequenas variações a cada ano. “O projeto é muito vivo para ficar num compartimento fechado. De uns anos para cá, o evento passou a trazer também mostras de filmes e shows, além dos seminários”, explica. A transmissão ao vivo faz parte das novidades deste ano. “Além de permitir o acesso dos que residem fora de São Paulo, essa medida visa expandir o evento internacionalmente. Organizações do exterior também poderão acompanhar o debate, uma vez que haverá transmissão em inglês”, complementa. Todo o conteúdo gerado ficará disponível no site mesmo após o fim da mostra.

Natale confidencia que o Itaú Cultural ainda pretende produzir uma publicação aprofundada com o tema debatido. Na 3a edição do evento, foi distribuído gratuitamente um livro recheado de textos e entrevistas dos participantes das 1ª e 2ª edições do Antídoto, mas o novo projeto teria uma fórmula diferente. “Também queremos gerar conteúdos específicos sobre os debates dos seminários”, explica o gerente do Núcleo de Música do Itaú Cultural. Apesar de ainda não haver confirmação, o coordenador revela que há a intenção de levar o evento para outras cidades em um formato “pocket” da mostra, compactada em um ou dois dias.

V Antídoto – Mostra Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito
De 1 a 30 de maio, na Sala Itaú Cultural (214 lugares)
Entrada franca. Ingressos distribuídos com meia hora de antecedência

Laís Nitta / blog Acesso

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