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Fotógrafos registram imagens chocantes da Cidade do Lixo
Postado em RRR em 14/12/2009 às 20h00
por Redação EcoD Comentários (1)

Perto das pirâmides de Gizé, principal ponto turístico do Egito, fica escondida a Cidade do Lixo. Encravada no meio da montanha de Mokattam, a cidade é lar dos Zabaleens – grupo isolado do resto da sociedade e responsável pela coleta e reciclagem de 90% do lixo produzido na capital. Inspirados na história dessas pessoas e na relação de identificação com o lixo, três fotógrafos registraram imagens chocantes de um lugar repugnante para alguns e impressionante para outros.

Os Zabaleens correspondem à minoria cristã do país e sobrevivem do que conseguem coletar nas ruas das cidades. Tudo o que é recolhido das casas e prédios do Cairo é levado para a Cidade do Lixo, onde cada material ganha sua destinação adequada. O que pode, é reaproveitado, o que não pode, é reciclado. Já os restos orgânicos são utilizados para queima e geração de energia, ou então é jogado aos porcos que se encarregam de dar fim ao “lixo”.

Lá os moradores convivem com o lixo com a naturalidade. A montanha Mokattam, que significa “montanha partida”, foi ocupada no século 10, quando, segundo uma lenda local, o lugar foi palco de um milagre: desafiados a provarem o poder da sua religião sob pena de serem expulsos do país ou mortos, os cristãos abriram a montanha usando apenas a força da fé.

Mesmo separados em locais distintos, a população cristã e o governo egípcio mantém confrontos até os dias de hoje. O último aconteceu em abril deste ano, quando o presidente Hosni Mubarak ordenou que todos os porcos de Mokattam (cerca de 350 mil) fossem sacrificados alegando o risco da contaminação da gripe suína.

Mesmo com a confirmação da Organização Mundial da Saúde de que os animais não transmitiam a doença, a matança não parou. Os Zabaleens protestaram, alegando que os animais eram vitais para o processo de eliminação do lixo orgânico e acusou o governo de exterminar os porcos por sua carne ser proibida entre os muçulmanos. Como resposta, os catadores deixaram de coletar o lixo orgânico do Cairo que logo começou a se acumular nas ruas da cidade.

E essa não foi a primeira vez que problemas políticos causaram queixa na população dos Zabaleens. Em 2003, empresas particulares foram contratadas para fazer a limpeza no Cairo e os Zabaleens viram seu meio de vida sendo levado embora pelos caminhões de lixo que passaram a percorrer as ruas da capital.

Desde o final da década de 40, esse grupo é responsável pela coleta de quase 60% do lixo da cidade do Cairo. Para isso eles não recebem nada do governo e sobrevivem da venda, principalmente, de plástico e papelão para fábricas de reciclagem.

Apesar das dificuldades, a população da Cidade do Lixo não se incomoda com o título do lugar onde moram. Muitos, ao contrário, possuem uma identificação e sentimento de pertencimento tão forte com o lixo que continuam vivendo no local mesmo quando já possuem condição financeira de se mudar para outra região.

Inspirados por essa relação, os fotógrafos Bas Princen, Klavs Bo Christensen e Alexander Heilner registraram com suas lentes as imagens desse povo, que permanece isolado do mundo enquanto limpam a sua sujeira. Veja mais no Link abaixo:

http://www.ecodesenvolvimento.org.br/ecodtv/Garbage Dreams.flv/video_view

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